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‘Não espero ser um astro do rock’, diz Rivers Cuomo, vocalista do Weezer

Banda pioneira do indie rock retorna à inspiração vinda do heavy metal com o novo disco 'Van Weezer'

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 18 ago 2021, 11h56 - Publicado em 30 jun 2021, 11h43

Quando a banda californiana Weezer surgiu em 1992, o heavy metal era um gênero em declínio. Para se diferenciar dos grupos surgidos nas décadas de 1970 e 1980, os novos roqueiros deixavam o histrionismo do metal de lado para compor músicas mais simples. Surgia aí o indie rock, cujo o Weezer se tornou um dos grandes representantes. “Mas nós crescemos nos anos 1980 e aprendemos a tocar nossos instrumentos ouvindo aquelas bandas de metal”, diz o vocalista Rivers Cuomo, que conversou com VEJA por telefone enquanto caminhava pelas ruas do seu bairro. “Gosto de dar entrevista enquanto caminho, assim eu faço duas coisas ao mesmo tempo”, justifica.

Nos últimos anos, o Weezer tem buscado se reconectar com suas influências do passado. Em 2019, lançou um álbum só de covers improváveis, como Africa, do Toto, Take On Me, do Aha, ou No Scrubs, do TLC. Agora, o grupo lança Van Weezer, um álbum em homenagem aos seus ídolos do metal, como Metallica, Judas Priest, Iron Maiden, Kiss e, claro, Van Halen. A seguir, leia os principais trechos da entrevista.

A banda Weezer
A banda Weezer //Divulgação

Em Van Weezer vocês fazem uma homenagem ao rock dos anos 1980 e especialmente a Van Halen. De que forma as bandas daquela década moldaram o som do Weezer? Todos nós crescemos nos anos 1980. Aprendemos a tocar nossos instrumentos fazendo cover dessas músicas. Minha primeira banda foi um cover do Kiss. Depois fiz cover do Metallica, Judas Priest e Iron Maiden. Isso me marcou profundamente como músico. Depois que me mudei para Los Angeles, consegui um emprego na Tower Records e fui exposto a outros tipos de música. Quando veio os anos 1990, a ideia era se afastar do excesso dos anos 1980 e se voltar para um estilo alternativo mais despojado. Então, em nosso primeiro álbum, reprimimos intencionalmente nossos instintos oitentistas. Só agora é que estamos realmente permitindo que estes instintos metaleiros voltem à vida. Antes de começarmos a gravar, eu fiz uma lista de reprodução gigante no Spotify com todas as nossas músicas de metal favoritas daquela época e, então, quando estávamos gravando e precisávamos de inspiração, íamos para essa lista e apenas ouvíamos até encontrar algumas ideias.

Embora seja uma homenagem aos anos 1980, as músicas soam como Weezer. A ideia não era mudar o som da banda? Queríamos que fosse um equilíbrio. Por isso se chama Van Weezer e não Van Halen. É natural que os fãs foquem no “Van” e não no “Weezer”. Há o ingrediente de metal dos anos 1980 na receita, mas fomos muito cuidadosos em manter um equilíbrio e mixá-lo com o som clássico do Weezer.

É verdade que um dos hits do Weezer, a música Hash Pipe, poderia ter sido uma música do Ozzy Osbourne, mas ele a recusou? Sim. Por volta de 2000, a equipe de Ozzy Osbourne me procurou e disse: “você tem alguma música que possa funcionar para o Ozzy?” Eu disse que sim e mostrei Hash Pipe, que tinha acabado de compor. Eles nunca mais me procuraram, então, colocamos em nosso próprio álbum.

Na letra da música Hero você canta que está conformado com seu lugar no mundo. Aos 51 anos de idade, se sente mais humilde com relação à fama e ao sucesso? Tenho sentimentos confusos sobre isso. Reconheço que não sou nem espero ser uma estrela do rock and roll, como Dave Grohl, que todo mundo conhece e ama. Todo mundo fica animado quando ele aparece. Não importa o quão grande o Weezer fique, eu nunca serei um Dave Grohl. Sou um tipo introvertido e solitário.

Concorda quando as pessoas dizem que você é um roqueiro nerd, por causa dos óculos e das roupas que usa? Sim, eu uso óculos. Sou tímido e, ao mesmo tempo, toco rock. Acho que essa é uma descrição bastante precisa.

Em 2019, o Weezer lançou um álbum de covers improváveis. Pretende repetir a dose? Acho que seria muito divertido. Mas eu sinto que temos que deixar passar muitos anos antes de podermos fazer isso de novo. Eu amo tocar covers em shows. Acho que gosto mais de tocar do que o público gosta de ouvir. Obviamente, eu escolho músicas que gosto e que são ótimas. Mas, além disso, há algo muito libertador para mim, porque eu não tenho nenhum compromisso com essas músicas. Não sou o autor delas, então não preciso me preocupar se a galera vai gostar. Se eles não gostarem, não é minha culpa. Mas, quando toco Weezer, eu estou sempre preocupado. Aí, a culpa é minha.

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