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Na Cidade do Rock, quem procura acha ingressos

Equipe do site de VEJA flagra venda de entradas por um homem saído da área onde se realiza o festival

Por Leo Pinheiro, da Cidade do Rock 27 set 2011, 16h21

Não há shows, os astros que levaram multidões ao delírio nos três primeiros dias do Rock in Rio estão descansando – ou já deixaram a cidade. Na Cidade do Rock, só entram as equipes de limpeza e de operários que cuidam dos inúmeros reparos necessários à segunda parte do festival. Do lado de fora, no entanto, existe um movimento incessante. São pessoas que foram até lá a passeio, para conhecer o que consideram um novo ponto turístico da cidade e – quem sabe? – conseguir ingressos para algum dos shows. A informação oficial, reafirmada na véspera do início do festival, é de que todos os 700 mil ingressos postos à venda – inclusive os do dia extra – foram vendidos. Ainda assim, a tosadora de cchorros Kheyla Almeida acabou ganhando um presente especial de aniversário.

“Ai, gente, será que o ‘vendedor’ não vai aparecer?”, perguntava Kheyla, aflita. A moça completa 23 anos domingo, dia 2, e pediu de presente de aniversário ao namorado Anderson Clay da Conceição um ingresso para ver o Guns N’ Roses. A aflição de Kheyla durou pouco. Minutos depois, apareceu um homem vestido com o uniforme da empresa responsável pelas obras da Cidade do Rock, perguntando para qual dia eles querem ingressos. Começou pedindo alto, mas acabou vendendo três ingressos por 580 reais – praticamente o preço oficial de 190 reais por entrada.

Questionados se não tinham medo de que os ingressos fossem falsificados, os felizes compradores apontaram para o estudante Andrey Abreu, que indicou o vendedor. Andrey, que já tinha comprado o ingresso para o dia 2 com o mesmo homem, atesta a qualidade do “serviço”. “Eu também não tinha conseguido comprar ingressos pela internet e nos shoppings, então comprei na mesma fonte e já assisti aos shows de sábado. Não tive o menor problema e agora vou voltar no dia do Guns”, diz o jovem, indicando o vendedor para outra amiga, a estudante Lavynia de Jesus, de 14 anos. Fã de carteirinha do Guns N’ Roses, ela é a única do grupo que não tem ingresso, porque ainda não juntou dinheiro para comprar. A jovem promete voltar hoje à Cidade do Rock para fechar mais uma compra. “Vou pedir dinheiro para o meu pai e para o meu tio”, decretou.

Antes de o grupo ir embora, o funcionário público Felipe Macedo tenta se inteirar sobre quem era o senhor que ainda tinha ingressos para os dias mais concorridos do Rock in Rio. “Meus amigos me disseram que tinha um cambista aqui na porta, e eu vim procurá-lo porque sou o único que não tem ingresso ainda. Estamos juntando um grupo grande para ver o show do Coldplay”, disse o rapaz, na esperança de que, de dentro da Cidade do Rock, surgisse alguém com mais uma remessa de bilhetes.

Só para ver – Nem só na venda de ingressos fazem bico os que trabalham na cidade do Rock. O gari Clemilson Dias, de 35 anos, tornou-se uma espécie de “fotógrafo oficial” da área extramuros da Cidade do Rock. O empresário Milton Bandeira, de 52 anos, tirou a tarde de folga para trazer a sua esposa, Rose Martins, de 46 anos, e as filhas Laís, de 14, e Ana Luísa, de 6, para conhecer o “monumento”. Enquanto a filha mais velha se auto-fotografava e a menor corria pela grama sintética com a mãe, Milton admirava a construção. “Ficou muito bonito, mas aqui é mais impressionante do que na televisão. Não comprei ingresso porque não sou fã de shows de rock, mas agora me deu vontade de vir para conhecer a cidade que tem aí dentro. Aquelas casinhas ali parecem até de verdade, estou impressionado”, disse o empresário se referindo à Rock Street – a rua de 160 metros que imita a arquitetura das avenidas de Nova Orleans.

Fã incondicional do Rock in Rio, o vendedor Marcus Vinicius Conceição, compareceu às três edições anteriores do festival, e não aguenta esperar até sábado, dia que vem assistir o show da banda Coldplay, para pisar dentro da Cidade do Rock. “Se alguém deixasse eu entrar eu ia gostar muito”, declarou, já fazendo a contagem regressiva para a sua festa.

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