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‘Mulheres Ricas’ e suas domésticas: ‘Sem elas eu não saberia viver’

Val Marchiori, Cozete Gomes e Andréa Nóbrega analisam a PEC das domésticas e revelam como é o relacionamento que mantêm com seus funcionários

Por Raquel Carneiro - 31 mar 2013, 17h10

Elas são fúteis, falam alto, usam joias caras e esbanjam um comportamento superficial. As integrantes do reality show Mulheres Ricas, exibida pela Band entre janeiro e março deste ano, dizem valorizar o trabalho de suas domésticas – e garantem que vão cumprir à risca as determinações da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que será promulgada em 3 de abril.

“Essa nova lei eu já faço faz tempo, sempre fiz”, disse Andréa Nóbrega em entrevista para o site de VEJA. “Todos têm carteira assinada, férias, décimo terceiro, hora extra. Tem de ser assim, né? Eles convivem com a gente o tempo todo, são de casa, e não é justo ter um funcionário por dez anos sem registro, sem direitos”, disse a ex-mulher do comediante Carlos Alberto de Nóbrega. Para cuidar da casa da socialite, na capital de São Paulo, ela tem seis empregados divididos entre as tarefas de governanta, cozinheira, arrumadeira, caseiro e motorista – os mais antigos são o motorista e a governanta, que estão há dez anos com Andréa. Os outros trabalham para ela há dois anos.

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A colega de reality show Val Marchiori também afirmou que a lei não vai alterar em nada sua rotina. “Será desvantagem é para minhas funcionárias, que trabalham quatro horas por dia, agora terão que ficar mais!”, brincou Val sobre a nova carga horária de oito horas que a lei propõe. “Eu acho ótimo. Tudo que for para melhorar o trabalho das pessoas eu acho válido. Eu sei muito bem como é isso, minha avó trabalhava para fora também”, relembrou a socialite, que mantém em seu apartamento em São Paulo quatro domésticas, além de outros funcionários que estão encarregados de cuidar de suas propriedades em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, e em Londrina, no Paraná.

“Eu valorizo muito meus funcionários, porque deixo a minha casa com eles. Eu viajo, eu trabalho, como a maioria das mulheres hoje faz. E nossa casa e nossos filhos ficam nas mãos deles”, explicou Val. A mais controversa integrante do reality show alegou que não terá problemas em pagar mais se for necessário, porém ressalta que suas funcionárias já ganham muito bem. “Elas recebem mais de quatro salários mínimos cada”, revelou Val e destacou sua favorita, dona Adair, que tem um salário de 3.000 reais. “Sem elas, eu não saberia nem viver. Elas cuidam dos meus filhos, da minha casa, das minhas roupas, realmente elas mandam na nossa vida.”

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Amiga da patroa – Dona Adair trabalha com Val Marquiori há oito anos. Responsável pela administração do apartamento que a socialite tem em São Paulo, a empregada é considerada indispensável. “Para mim, ela não é empregada, sabe? Ela é de casa. Eu deixo tudo nas mãos dela.”

No domicílio de Andréa Nóbrega, a doméstica mais querida é a governanta Gorete. “Ela é uma figura, me diverte”, contou Andréa sobre a relação com a funcionária, que está na função há 10 anos e a quem também confia o cuidado de seus filhos. “Se eu preciso que ela fique com as crianças uma horinha a mais eu peço, mas pago direitinho essa hora extra. E ela fica sem problema nenhum.” Andréa preferiu não revelar os salários de seus empregados, mas disse que eles ganham muito mais que um salário mínimo.

“Quando você anda certinho, seus funcionários gostam de você. Agora, quando você anda torto… eles vão te odiar. E vão é pôr fogo na casa (risos). Por isso eu cuido direitinho deles!”, brincou Andréa.

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Previsões – Enquanto Val e Andréa alegam tratar suas funcionárias como melhores amigas, outra integrante de Mulheres Ricas, a empresária Cozete Gomes, diz que prefere manter um relacionamento mais profissional com suas domésticas. Cozete tem em seu quadro de funcionários seis pessoas que se dividem entre tarefas de faxina e cozinha em seu apartamento em São Paulo, em seu ateliê de arte e na casa de sua família, onde vive a mãe da empresária.

“Meus empregados sempre foram registrados. Todos são regulamentados nos encargos de empregada doméstica da antiga lei, agora terão o ajuste”, revela Cozete. Ela também analisa o aumento de custos que a nova lei trará. “Para mim, como empresária, vai ser um aumento considerável. Por outro lado, sobre a questão humanitária, eu acho superjusto a empregada doméstica ser reconhecida como uma trabalhadora com os mesmos direitos dos demais”, disse a integrante do reality show. Mesmo com o reajuste, Cozete não pretende reduzir o quadro de funcionários, mas acredita que vários cortes vão acontecer em lares que ela conhece.

“Para mim, não vai impactar em redução de funcionários, mas por outro lado eu tenho uma preocupação com a categoria em si, com a ilegalidade que possa surgir. Algumas pessoas talvez não possam pagar”, afirma.

Menos pé no chão, Val disse não lembrar de ter ouvido pessoas de seu meio falando em demitir empregados e que, por ela, todos os salários deveriam subir sempre. “Sou favorável a aumentar salário de empregadas, de professores… Aliás, eu acho é que vou me candidatar e virar prefeita de São Paulo. E vou aumentar o salário de um monte de gente (risos)! A primeira coisa que vou fazer é que as mulheres ganhem mais do que os homens, hello!”, finalizou Val, com seu indefectível bordão.

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