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Mostra escurece pele de personalidades como Doria e Silvio Santos

Alexandra Loras, adicionou digitalmente traços associados à população afrodescendente em celebridades como Dilma Rousseff e Silvio Santos

Por redação Atualizado em 29 nov 2017, 11h55 - Publicado em 29 nov 2017, 11h28

A ex-consulesa da França em São Paulo Alexandra Loras inaugura neste sábado, 2 de dezembro, uma mostra bastante provocativa em tempos de discussão exacerbada sobre racismo. Pourquoi Pas?, a exposição, vai reunir vinte retratos de personalidades brancas que tiveram a pele escurecida por manipulação digital, entre elas Marilyn Monroe, Silvio SantosRainha Elizabeth IIJoão Doria, Dilma Rousseff e Michel Temer

Cm a mostra, Loras, que é negra, lança várias questões. Ao escurecer a pele de tantos poderosos, em primeiro lugar, mostra que aqueles que estão no poder (político e econômico) são brancos. Depois, leva o interlocutor ou espectador a se perguntar como lidaria com aquelas personalidades se elas tivessem uma cor diferente.

Uma interpretação equivocada é a que, nas redes sociais (sempre elas), acusa a exposição de cometer blackface. O termo em inglês remete à técnica utilizada no teatro do século XIX, em que atores brancos pintavam o rosto com carvão para interpretar personagens negros. “Vergonha e tristeza é o que sinto em saber que pessoas brancas racistas vão usar essa exposição para deslegitimar nossa luta. E que pessoas negras alienadas vão ficar mais longe de entender o que essa ofensa racista, que o Brasil ainda pratica, significa”, comentou uma usuária no Facebook da artista. 

  • De acordo com o texto de divulgação da exposição, o objetivo das obras de Alexandra é usar da ironia e do humor para refletir sobre o protagonismo do negro na história e evidenciar a falta de democracia racial no Brasil. Para alcançar esse resultado, a artista usou programas de edição de imagem digital para escurecer a pele e adicionar traços associados à população afrodescendente nas personalidades.

    A exposição Pourquoi Pas? será inaugurada no dia 2 e ficará disponível até o dia 22 de dezembro na galeria Rabieh, em São Paulo. A entrada é gratuita. O espaço fica aberto de segunda a sexta, das 10 às 19h e de sábado, das 11h às 17h.

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