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Morre o escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, aos 84 anos

Psicanalista que se converteu em prestigiado autor de thrillers policiais, o carioca é pai de um personagem popular, o delegado Espinosa

Por Redação Atualizado em 16 abr 2020, 13h52 - Publicado em 16 abr 2020, 12h57

O escritor e psicanalista Luiz Alfredo Garcia-Roza morreu nesta quinta-feira, 16, aos 84 anos. A informação foi divulgada por sua esposa, a escritora Livia Garcia-Roza. Bem-sucedido autor de livros policiais, Garcia-Roza estava internado há um ano no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, após sofrer um acidente vascular cerebral. Seu livro mais recente foi A Última Mulher (Companhia das Letras), publicado em julho de 2019, quando o autor já estava no hospital. A obra traz de volta seu personagem mais famoso, o delegado Espinosa, um homem culto e metódico, oposto de outra popular persona da literatura policial nacional, o torto advogado Mandrake de Rubem Fonseca, escritor que o Brasil também perdeu esta semana.

Se o colega Fonseca optava por uma linguagem crua, observando o submundo do crime a partir de sua experiência como policial, Garcia-Roza explorava em sua obra intrincados dilemas morais, observando a selvageria humana pela ótica da psicologia. Sua prosa envolvente conduzia o leitor com certo didatismo até o fim, mas deixando interpretações em aberto para que o público julgasse seus personagens.

  • Foi na maturidade, aos 60 anos, que ele deu os primeiros passos na literatura, com a novela O Silêncio da Chuva, publicada em 1996, obra que lhe rendeu o prêmio Jabuti. Desde então, assinou doze romances, entre eles Uma Janela em Copacabana (2001), Céu de Origamis (2009) e Um Lugar Perigoso (2014).

    A obra do escritor foi vista no cinema e na TV. A primeira adaptação veio em 2006, com Achados e Perdidos, com Antonio Fagundes e Zezé Polessa, que interpretou uma prostituta assassinada, caso que leva o protagonista, um delegado aposentado, a ser visto como o principal suspeito. Depois foi a vez do canal pago GNT investir na série Romance Policial: Espinosa (2015), com o ator Domingos Montagner (1962-2016) na pele do delegado do título. Berenice Procura, outro livro do autor, também ganhou adaptação no cinema, em 2018, com Cláudia Abreu no papel da protagonista que precisa lidar com a violência do marido, vivido por Eduardo Moscovis. Em breve, Espinosa será visto nos cinemas, na adaptação de Daniel Filho do livro O Silêncio da Chuva, com Lázaro Ramos no papel principal.

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