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Morre Martha Rocha, a primeira Miss Brasil

Musa baiana morreu por insuficiência respiratória seguida de infarto em Niterói

Por Redação - Atualizado em 5 jul 2020, 22h43 - Publicado em 5 jul 2020, 18h48

Martha Rocha, eleita a primeira Miss Brasil em 1954, morreu de insuficiência respiratória seguida por um infarto no último sábado 5, em uma casa de repouso onde vivia há um ano e meio, em Niterói (RJ). O corpo da musa baiana de 87 anos foi enterrado nesta tarde no Cemitério do Santíssimo Sacramento, na região metropolitana do Rio.

Álvaro Piano, de 63 anos de idade, um dos três filhos da ex-miss, afirmou à Agência Brasil que a mãe sofria de efisema pulmonar e teve o quadro agravado por insuficiência respiratória. A equipe médica da Casa de Repouso Carol Caminha chegou a chamar uma ambulância, mas Martha não resistiu.

No mesmo ano em que venceu o Miss Brasil em uma cerimônia no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, Martha também fez história ao ficar em segundo lugar no concurso de Miss Universo, na Califórnia, atrás somente da americana Miriam Stevenson. Na época, deu-se início à lenda de que ela teria perdido o título por “duas polegadas” a mais no quadril – versão que ela própria sempre desmentiu. Também pensava-se que Martha tinha 18 anos em 1954, mas neste domingo o filho revelou que, na verdade, ela era quatro anos mais velha. 

Martha teve dois filhos com o banqueiro português Álvaro Piano, que morreu em um desastre de avião. Aos 23 anos, de volta ao Brasil, se casou com Ronaldo Xavier de Lima e teve outra filha, a artista plástica Claudia Xavier de Lima. Pelas redes sociais, Martha disse que em 1995 seu cunhado, Jorge Piano, teria roubado todo o seu dinheiro e que superou seus problemas com a ajuda dos filhos e de duas amigas, além do “trabalho honrado vendendo quatros pintados por mim”.  

Álvaro disse que a mãe, apesar de todos os convites que teve para ser atriz, cantora ou uma personalidade da chamada alta sociedade e de frequentar esse ambiente, sempre soube preservar o lado da família, de mãe e esposa. “Ela sempre foi uma boa mãe para a gente. A lembrança que tenho é de uma mãe que nos deu carinho e não como uma pessoa inacessível que nunca está presente. Ela sabia chegar em um equilíbrio com a vida social e com os convites. Para mim é até inconcebível vê-la como mito de beleza. Ela era a nossa mãe”.

Segundo Álvaro, há cinco anos Martha fez uma cirurgia no fêmur e após voltar para casa foi diagnosticada com uma infecção bacteriana intestinal agressiva, adquirida no hospital. Ela permaneceu internada por cinco meses em outra unidade hospitalar, mas desde então passou a ter dificuldade de se locomover e passava a maior parte do tempo deitada.

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Martha Rocha desfilando nos EUA, em 1954: não é verdade que ela perdeu o concurso por ter duas polegadas a mais nos quadris Domínio Público/Domínio Público

O filho revelou que ao ser identificado o efisema pulmonar, Martha Rocha abandonou o hábito de fumar, mas o pulmão já estava comprometido.  “Foi um descanso para ela. Teve uma morte relativamente sem grandes sofrimentos. Ela já estava pedindo mesmo para Deus levá-la. Foi até uma graça no meio da tristeza, não dá para negar, porque a cada dia acelerava mais o quadro de saúde. Tinha desenvolvido também surdez e tinha dificuldade de comunicação. Nessa época de Covid-19 não se pode visitar uma casa de repouso, porque as visitas estão proibidas. Então, foi um descanso para ela”, afirmou.

Para a ex-Miss Brasil 1986, Deise Nunes, Martha Rocha foi uma grande referência não só para ela, mas para todas as meninas que participaram e ainda fazem parte do concurso até hoje. “Uma mulher icônica, de personalidade muito forte, que no ano de 1954 se tornou Miss Brasil e quase foi Miss Universo, só perdeu por causa das tais duas polegadas. Com certeza, para nós brasileiros, foi sim, a nossa Miss Universo 1954”, afirmou à Agência Brasil.

 

 

 

 

 

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