Morre aos 77 anos Tony Gatlif, cineasta de ‘Gadjo Dilo’ e da cultura cigana
Diretor franco-argelino, autor de 25 filmes e premiado em Cannes por “Exils”, morreu enquanto trabalhava num novo projeto no sul de França
Morreu aos 77 anos o cineasta Tony Gatlif, autor de 25 filmes e conhecido por obras que exploram as culturas cigana e migrante. O diretor morreu na quinta-feira, 3, em Arles, no sul de França, onde trabalhava num projeto de filme histórico, segundo informações divulgadas pela imprensa francesa.
A ministra francesa da Cultura, Catherine Pégard, prestou homenagem ao cineasta nas redes sociais. “Tony Gatlif tinha o gosto pelos caminhos menos percorridos, pelas fronteiras que se apagam, pelas vidas a que se presta pouca atenção”, escreveu.
Tony Gatlif avait le goût des chemins de traverse, des frontières qui s’effacent, des vies que l’on regarde trop peu. Il filmait la musique, le mouvement, l’exil et la liberté avec une énergie qui n’appartenait qu’à lui. J’adresse mes condoléances à sa famille et à ses proches. pic.twitter.com/SuOsMNk4bQ
— Catherine Pégard (@catherinepegard) September 4, 2026
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Entre os filmes mais conhecidos de Gatlif estão Gadjo Dilo (1997), protagonizado por Romain Duris, e Exils (2004), que lhe rendeu o prémio de realização no Festival de Cannes. Ao longo da carreira, o realizador dedicou especial atenção a histórias de caráter social e à cultura cigana, incorporando em seus filmes elementos como o flamenco e a música tzigana.
Nascido Michel Dahamani, em 10 de setembro de 1948, Gatlif era filho de pai cabila e mãe cigana. Ainda adolescente, durante uma fiscalização policial, decidiu mudar de nome para evitar ser repatriado para a Argélia. Escolheu “Gatlif”, nome de um espaço verde em Argel.
Depois de passar por uma casa de correção, foi enviado para a Camarga, região do sul de França que teria papel importante na sua formação.
“Travei uma batalha contra o meu destino, contra mim próprio, e isso não é pouco”, afirmou à AFP em 2021. Sobre a chegada à Camarga, acrescentou: “A partir do momento em que pus os pés na Camarga, comecei a ouvir, e isso tem que ver com o respeito com que as pessoas me falavam, sem preconceito.”





