Mônica Martelli e Ingrid Guimarães: mulheres maduras no centro do humor
Atrizes estrelam 'Minha Melhor Amiga', que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 3
Mônica Martelli, 58, e Ingrid Guimarães, 54, transformaram quase três décadas de amizade em Minha Melhor Amiga, comédia dirigida por Susana Garcia que estreia nesta quinta-feira, 3, nos cinemas. Protagonistas e também roteiristas do longa, as atrizes reforçam a presença de mulheres à frente do humor nacional com uma história sobre amizade, maternidade e o direito feminino de repensar a própria vida. No filme, Julia e Clara aproveitam o intercâmbio das filhas adolescentes para embarcar em uma viagem pela Europa. Frustradas com a vida amorosa e profissional, as personagens percebem que precisam voltar a olhar para si mesmas. Para Mônica, o conflito reflete a cobrança enfrentada pelas mulheres fora das telas. “A gente tenta equilibrar, mas, a cada semana, alguém sai prejudicado. Em uma, é a filha, porque preciso me dedicar à pré-estreia e ao lançamento do filme. Na outra, é o namorado. A gente vai tentando equilibrar, porque a demanda em cima da mulher é muito grande”, afirmou em conversa com a coluna GENTE.
Ingrid concorda que essa conciliação permanece inalcançável. “A verdade é que a conta nunca fechou para a gente. Alguém sempre fica prejudicado. Somos mães maravilhosas, mas temos um mundo interno feminino. O filme é 80% sobre as mulheres e 20% sobre a maternidade”, completa Ingrid: “A mulher não é só mãe. A gente é mulher, namora, quer ir para a vida, quer mudar de vida, quer mudar de trabalho”.
A discussão atravessa o longa sem abandonar o humor. Na avaliação de Ingrid, a comédia funciona quando permite que o público reconheça as próprias experiências nas personagens. “A pessoa vai para se divertir, claro, mas também para se ver, se identificar e se perdoar”, afirmou. “A gente leva muita verdade para a cena. Qualquer pessoa já passou, está passando ou vai passar por alguma situação das nossas personagens”, acrescentou Mônica.
Embora a maternidade não seja o único eixo da trama, a relação com as filhas adolescentes ajuda as protagonistas a questionar as próprias escolhas. Fora das telas, as filhas de Mônica e Ingrid também cresceram juntas e mantiveram a amizade mesmo depois que Martelli se mudou para São Paulo. “As duas continuaram conectadas lindamente. Falei: ‘Cara, isso é uma coisa delas’”, contou Mônica. “A gente viaja tanto junto que acho que elas se espelham muito na nossa amizade”, completou Ingrid.
Responsável por conduzir a dupla, Susana define o trabalho como uma “comédia humana”, que busca provocar identificação para além da gargalhada. “As pessoas se inspiram nos personagens, se reconhecem nas situações, riem muito e também se emocionam. Esses pilares são fundamentais para não ser apenas uma comédia de riso. Você sai mais preenchido, com a alma lavada, refletindo sobre a vida”, afirmou a diretora.
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