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Miss América de ascendência indiana é discriminada no Twitter

Nina Davuluri, americana filha de imigrantes da Índia, foi eleita miss na noite de domingo, ao que se seguiu uma enxurrada de comentários racistas na rede social

Por Da Redação 17 set 2013, 17h43

Nina Davuluri, a primeira Miss América de ascendência indiana, mal tinha sido coroada em Atlantic City neste domingo e seu nome já era alvo de racismo no Twitter. “Se você é Miss América, deveria ser americana”, disse um usuário da rede social, confundindo a nacionalidade de Nina, que é sim americana, mas filha de pais indianos. O concurso, que não deve ser confundido com o de Miss Estados Unidos, escolhe anualmente uma jovem para receber uma bolsa de estudos de 50 000 dólares entre candidatas dos 50 estados americanos, além do distrito federal (Washington), de Porto Rico e das Ilhas Virgens.

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“Os juízes liberais do Miss América não vão dizer isso – mas a Miss Kansas perdeu porque representa de verdade os valores americanos”, escreveu Todd Starnes, comentarista da emissora Fox News, em referência à loira Theresa Vail, vencedora na categoria de voto popular.

“Estou tão feliz por essa organização ter abraçado a diversidade”, disse Nina em sua primeira coletiva de imprensa. “Há crianças assistindo ao programa que finalmente poderão se sentir ligadas à Miss América.” Sobre os comentários negativos, a moça não se fez de rogada. Nem de humilde. “Eu tenho que ser superior a isso. Sempre me vi como a primeira e principal americana.”

Filha de um ginecologista indiano que imigrou para os Estados Unidos em 1981, Nina nasceu no estado de Nova York e estudou ciência cognitiva e comportamento cerebral na Universidade de Michigan. Com o valor de 50 000 dólares recebido pelo concurso, ela pretende estudar, provavelmente seguindo os passos do pai na medicina, de acordo com o jornal britânico The Guardian.

Nina não é a primeira a ser criticada por ter sido escolhida em um concurso como o Miss América. A descendente de libaneses Rima Fakih, vencedora do Miss Estados Unidos de 2010, foi acusada, inclusive, de ter ligações com o grupo militante Hezbollah. Algumas pessoas, aliás, chegaram a pensar que Nina fosse de origem árabe. “E uma árabe ganha o Miss América. Clássico”, escreveu em tom irônico um usuário do Twitter.

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