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“Minha filha temia a fama”, diz mãe de Amy Winehouse

Janis Winehouse organiza com a BBC um novo documentário sobre a cantora, morta há dez anos por intoxicação alcoólica

Por Sabrina Brito Atualizado em 29 abr 2021, 13h05 - Publicado em 30 abr 2021, 06h00
VERGONHA - Relação familiar: “Ela pedia desculpas por beber na minha frente” -
VERGONHA - Relação familiar: “Ela pedia desculpas por beber na minha frente” – Larry Busacca/Amy Winehouse Foundation/Getty Images

Como foi conviver com Amy? Sempre pensei em Amy como uma criança difícil, até quando ela era adulta. Nunca foi sem graça conviver com ela. Amy era manipuladora, mas também adorável. Não parava de cantar. Cantava o dia inteiro, onde estivesse.

Como ela lidou com a fama? Amy não gostava nem um pouco de ser famosa. Queria cantar, apenas isso. Na verdade, minha filha temia a fama e tudo o que o viria com o sucesso. Ela não era tão confiante quanto as pessoas acham. Em seus shows, dá para notar a timidez. Ela puxava a barra da saia, claramente com vergonha.

Alguns documentários revelaram que Amy tinha uma relação tempestuosa com o pai. E com a senhora?  Amy sempre protegeu a família, tentou evitar que a fama nos prejudicasse. Ela nos poupava muito, especialmente a mim, por causa da minha doença (Janis tem esclerose múltipla).

O problema do alcoolismo afetou a relação dela com a família?  Na verdade, ela estava sempre pedindo desculpas por tudo, por falar palavrões, por beber na minha frente, por qualquer coisa que tivesse feito e que achava que pudesse desagradar. Ela era assim.

Por que Amy é um estrondoso sucesso ainda hoje?  Ela foi uma daqueles artistas que tocam as pessoas. As letras que escrevia emocionavam o público. Até hoje recebo mensagens nas redes sociais de pessoas dizendo coisas como “Amy me salvou”. As palavras e a música dela tinham muito significado.

Qual a sensação de rever fotos e vídeos e trazer memórias para o documentário? É sempre bom entrar em contato com coisas ligadas a Amy. Eu não estou de luto pela minha filha, eu a celebro todos os dias. Todo dia é dia de Amy. Ela ainda está conosco, e suas coisas enchem a nossa sala de estar: prêmios, pôsteres, sapatos, violões, tudo o que você possa imaginar. É mágico entrar em contato com todas as partes dela, até mesmo partes que ela não queria que nós conhecêssemos.

Qual a importância de manter a memória de Amy viva? As pessoas não sabem como Amy era de verdade. Ela era muito profunda, e nem todo mundo enxergava isso — por vezes, eu mesma não enxerguei. Hoje, trabalhamos com a Amy Winehouse Foundation, oferecendo um ambiente de recuperação para jovens.

O que Amy acharia do documentário? Ela não se importava com coisas desse tipo. Era difícil impressioná-la. Era apenas uma menina.

Publicado em VEJA de 5 de maio de 2021, edição nº 2736

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