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Meryl Streep rejeita críticas de Cameron por filme sobre Thatcher

Por Leon Neal 6 jan 2012, 15h45

A atriz americana Meryl Streep, que encarna a Margaret Thatcher em “A Dama de Ferro”, rejeitou, nesta sexta-feira, em Paris, as críticas do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que questionou o momento em que esse filme foi feito, retratando a ex-governante idosa e doente.

“É mais um filme sobre o envelhecimento e elementos de demência do que sobre uma primeira-ministra estupenda”, lamentou Cameron, unindo sua voz à de muitos conservadores que criticam o fato de Thatcher, a controversa primeira, e até agora única, chefe de Governo britânica, ser apresentada como uma idosa frágil e abalada por uma demência senil.

A atriz, de 62 anos, vencedora de Oscars, respondeu destacando que o retrato da mulher que governou o Reino Unido com mão de ferro durante dez anos busca “penetrar no ser humano, em um momento de solidão, no final de sua vida” e que as críticas têm a ver com o estigma que acompanha a senilidade.

“O retrato que fazemos dela, que sofre de um dos 41 tipos de demência, não é desrespeitoso. É doloroso, mas é verdadeiro. É a vida”, afirmou Streep em uma coletiva de imprensa realizada em um luxuoso hotel de Paris.

“Se a tivéssemos mostrado tossindo ou mancando, ninguém teria protestado. Mas há um estigma especial que acompanha a demência. As pessoas a consideram vergonhosa”, afirmou Streep, uma atriz extraordinária que carrega quase exclusivamente em seus ombros o filme dirigido pela britânica Phyllida Lloyd.

A cineasta reagiu também às críticas de Cameron, afirmando que confirmam que no Reino Unido, Thatcher, agora com 86 anos, “é considerada uma santa, um ícone ou um monstro”.

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“Acreditamos que esse debate está atrofiado. Queríamos contar outra história, a de sua ascensão ao poder em um mundo de homens, suas memórias, sua solidão”, disse Lloyd.

“Queríamos mostrá-la no final da vida, nesse momento de silêncio, de solidão. Ver a totalidade de uma vida, que foi intensa, turbulenta. Quais são, no fim das contas, os momentos importantes em uma vida. Não para a história”, destacou Streep, horas antes de pisar no tapete vermelho para a estreia em Paris desse filme.

“Além disso, se Cameron considera desrespeitoso o filme, me pergunto o que ela diria se o ouvisse perguntar em uma rádio por que não esperar e fazer o filme quando ela estiver morta”, disse a atriz que pode ganhar um terceiro Oscar por essa interpretação da Dama de Ferro.

Como quase todos, Cameron elogiou, no entanto, a “sensacional e assombrosa” interpretação da protagonista, a atriz americana Meryl Streep, que pode ser indicada pela 17ª vez ao Oscar pelo filme, que estreia nesta sexta-feira no Reino Unido.

Ao ser questionado sobre qual ator gostaria que o interpretasse no cinema, Cameron se negou a responder e declarou ter “certeza”, entre risos, de que nunca farão um filme sobre ele.

Há uma década que a ex-governante britânica, que ganhou a alcunha o título de Dama de Ferro durante o conflito pelas Malvinas, não voltou a falar em público, depois que os médicos a desaconselharam em consequência de pequenos ataques de apoplexia que causaram confusão e perda de memória. Nos últimos anos suas aparições sociais foram raras.

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