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Memória: A corajosa luta pela cidadania

As despedidas de 2020: política e sociedade

Por Fábio Altman Atualizado em 24 dez 2020, 09h35 - Publicado em 24 dez 2020, 06h00

JOHN LEWIS, ativista pelos direitos civis

John Lewis
Bill Clark/CQ Roll Call/AP/Glow Images/.

As célebres palavras de Martin Luther King na Marcha de Washington de 28 de agosto de 1963, “Eu tenho um sonho…”, são muito conhecidas, marco de um tempo. Mas houve também o emocionante discurso de John Lewis, que tinha então apenas 23 anos: “Estamos cansados. Cansados de ser agredidos pela polícia. Cansados de ver nosso povo ser trancafiado nas cadeias repetidas vezes. E vocês dizem para sermos pacientes. Por quanto tempo podemos ser pacientes? Queremos nossa liberdade, e queremos agora”. Em 1965, ele participou de outro momento seminal: a caminhada entre as cidades sulistas de Selma e Montgomery, cujo objetivo era defender o direito dos negros de votar. Atacado pelos policiais, Lewis teve uma fratura no crânio ao ser agredido. O episódio, conhecido como Domingo Sangrento, provocou revolta nacional e pressionou o Congresso a aprovar a Lei dos Direitos de Voto. Tinha 80 anos. Morreu em 18 de julho, em Atlanta, em decorrência de um câncer no pâncreas.

RUTH BADER GINSBURG, juíza

Ruth Bader Ginsburg
Tribune News Service/Getty Images

Em 1993, a juíza Ruth Bader Ginsburg foi nomeada pelo presidente Bill Clinton para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Era apenas a segunda mulher indicada para a instituição. Em um dos casos mais ruidosos do tribunal, ela conseguiu anular a política de admissão apenas de homens ao Instituto Militar da Virgínia. Ao explicar sua decisão, RBG, como era conhecida, argumentou que nenhuma lei ou política deveria negar às mulheres “plena cidadania, a mesma oportunidade de aspirar, alcançar, participar e contribuir com a sociedade em função de seus talentos e habilidades individuais”. Ela foi muito celebrada também por seu estilo: a predileção por luvas de renda e os jabots, os colarinhos que colocava sobre túnicas — incluído aí seu famoso “colarinho da divergência”, que ela usava em alguns dos casos em que discordava da maioria. Morreu aos 87 anos, em Washington, de câncer.

DOM PEDRO CASALDÁLIGA, bispo

Dom Pedro Casaldáliga
Orlando Brito/VEJA
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Nascido na Catalunha, o bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga, ficou conhecido internacionalmente como defensor dos direitos humanos, sobretudo dos povos indígenas. Ajudou a criar o Conselho Indigenista Missionário e foi atuante na criação das chamadas comunidades eclesiais de base, que deram profundidade à militância política, abertamente marxista, da Igreja Católica, sobretudo durante os anos do regime militar no Brasil. Morreu em 8 de agosto, aos 92 anos, em Batatais, no interior de São Paulo, de problemas respiratórios.

ALFREDO SIRKIS, ambientalista

Em um clássico da recente historiografia brasileira, a autobiografia Os Carbonários — Memórias da Guerrilha Perdida, de 1980, o carioca Alfredo Sirkis revelou a transformação de um homem atrelado a dogmas da esquerda em defensor de uma outra preocupação, a preservação do meio ambiente. Sirkis, que de 1971 a 1979 viveu no exílio, entre Chile, Argentina e França, foi um dos fundadores do Partido Verde no Brasil. “Era uma espécie de memória do movimento ambiental brasileiro”, disse o ex-deputado federal Fernando Gabeira, companheiro das duas jornadas, a do levante armado e a da defesa do clima. Morreu em 10 de julho, ao sofrer um acidente de carro, no Rio de Janeiro. Viajava do Rio para Morro Azul, no interior fluminense, para visitar a mãe, de 96 anos, isolada em decorrência do coronavírus — ele era filho único. Tinha 69 anos.

GUSTAVO BEBIANNO, político

Gustavo Bebianno
Daniel Marenco/Agência O Globo

Gustavo Bebianno, advogado por formação profissional, nutria admiração antiga pelo então deputado federal Jair Bolsonaro quando, em 2014, começou a lhe enviar e-mails apresentando-se como fã. Na primeira oportunidade de aproximação, correu ao encontro do parlamentar, oferecendo-se inclusive para defender o já candidato à Presidência em vários processos. Os dois estreitaram os laços, Bebianno se tornou peça-chave na engrenagem da campanha e, mais tarde, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Não durou, porém, mais do que 47 dias no governo que ajudou a montar. Bebianno foi defenestrado quando veio à tona um esquema de candidaturas-­laranja no PSL, partido que presidia. Ele sempre negou responsabilidade pela farra das verbas distribuídas indevidamente, mas acabou na degola mesmo assim. Dizia que fora Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, quem minara a amizade com o “capitão”. Morreu em 14 de março, aos 56 anos, de infarto, em sua casa de Teresópolis, no Rio.

Publicado em VEJA de 30 de dezembro de 2020, edição nº 2719

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