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Matt Damon fica minúsculo em ‘Pequena Grande Vida’

Em sátira sobre consumismo e meio ambiente, de Alexander Payne, o ator faz rir e emociona ao passar por um processo de miniaturização

Por Mariane Morisawa, de Toronto 16 set 2017, 15h11

Pequena Grande Vida, novo filme de Alexander Payne apresentado no Festival de Toronto, tem uma ideia para fazer todo o mundo viver melhor e impactar menos o meio ambiente: encolher as pessoas. Cansados de ficar mais apertados com dinheiro do que gostariam, Paul Safranek (Matt Damon) e sua mulher Audrey (Kristen Wiig) resolvem passar pelo processo. Mas nem tudo sai como esperado nesta sátira, e Paul logo se vê sozinho na cidade perfeita onde diamantes custam uma pechincha.

Solitário, o bom moço acaba ficando amigo do vizinho de cima, o bon vivant Dusan (Christoph Waltz, na mesma nota de sempre). Mas quem vai mudar mesmo sua vida é Ngoc Lan Tran (Hong Chau, ótima), que foi miniaturizada à força no Vietnã e a única sobrevivente de um contrabando numa caixa de televisão em que perdeu parte da perna. É ela que mostra que a vida boa dos miniaturizados não vem sem custo: depois de ser tratada como heroína, hoje Ngoc trabalha como faxineira e mora com outros na mesma situação num edifício fora dos limites da cidade, sem nenhum dos luxos encontrados na área onde Paul mora.

É curioso ver Payne, um diretor conhecido pelos dramas cômicos humanistas, trabalhar com efeitos especiais. O processo em si é engraçadíssimo: quem não se divertiria vendo Matt Damon, que já passou por mil e uma na tela, raspar cabeça e sobrancelhas e depois ficar tão pequenininho a ponto de ser recolhido com uma espátula? O diretor fala de consumismo, capitalismo e da destruição do meio ambiente de forma esperta e emocionante, mas às vezes se perde um pouco na imensidão de tudo o que deseja falar. Mas, no fim das contas, diz Pequena Grande Vida, tudo o que vale mesmo é a conexão entre seres humanos.

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