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MASP expõe Degas e suas famosas bailarinas a partir desta sexta-feira

Museu aposta em mostra com obras do impressionista francês pertencentes a seu acervo para atrair público de volta às exibições de arte

Por Amanda Capuano 3 dez 2020, 10h44

A partir desta sexta-feira, 4, o MASP exibe a exposição Degas, que leva ao público o rico acervo do impressionista francês Edgar Degas (1834-1917) pertencente ao museu paulistano. Parte das obras das famosas esculturas do artista havia sido exposta no Masp pela última vez há 14 anos. No total, 76 obras estarão disponíveis para visitação: 73 peças de bronze, dois desenhos e uma pintura. Os ingressos variam de 22 (meia-entrada) a 45 reais, com entrada gratuita toda terça-feira. Devido às restrições de público, a reserva online é obrigatória e pode ser feita no site da instituição.

Além do MASP, apenas outros três museus no mundo possuem a coleção completa de esculturas do francês: o dinamarquês Glyptotek, em Copenhague, o Metropolitan, de Nova York, e o Musée d’Orsay, em Paris. Em função das limitações logísticas impostas pela pandemia, os empréstimos internacionais de pinturas a óleo acordados anteriormente tiveram de ser suspensos, o que obrigou a focar a exposição somente nas obras do próprio museu. Uma das mais célebres do artista, a escultura Bailarina de catorze anos, produzida em 1880, ganha posição de destaque na mostra. A obra retrata Marie van Goethem, uma estudante de balé cuja vida futura pouco se conhece. Sabe-se, no entanto, que sua irmã mais velha, em função das dificuldades financeiras dos pais, ingressou na prostituição, destino que pode ter sido seguido também pela caçula.

Assim como as mostras de Hélio Oiticica (1937-1980), Trisha Brown (1936-2017) e Senga Nengudi (1943), a mostra compõe o ciclo das histórias da dança, tema escolhido pelo museu para o ano de 2020. Edgar Degas ficou conhecido por dedicar seu trabalho à reprodução de bailarinas da Ópera de Paris, traduzindo para as telas e metais suas poses e movimentos nos palcos. Na superfície, tais obras arrebatam pela viva paleta de cores impressionista e pelos movimentos diáfanos captados com maestria pelo artista. Mas, debaixo dessa aparente doçura, Degas expõe algo perturbador: o sofrimento excruciante imposto às jovens bailarinas, com suas torções dolorosas e pés devastados pelo esforço da dança. É nesse paradoxo entre beleza e dor que reside a excepcionalidade de seus trabalhos.

Além das obras do artista, a exibição ainda trará releituras inéditas da brasileira Sofia Borges. Durante quase um ano, a artista produziu uma série de fotografias em grande escala das obras de Degas que integram o acervo do MASP. A exibição contará ainda com a publicação do catálogo Degas: dança, política e sociedade, um livro inédito com mais de 200 obras que se debruça sobre o teor social do artista, um lado pouco explorado do francês. 

Fechado em 17 de março em função da pandemia, o museu enfrentou meses difíceis e chegou a reduzir em 13% o seu quadro de funcionários. Com a chegada da capital paulista à fase verde, em outubro, a instituição voltou a receber público, mas a visitação ainda está longe dos patamares anteriores: segundo o museu, desde a reabertura, em 13 de outubro, até ontem, a instituição recebeu 24.257 visitantes – número que corresponde a pouco mais de 50% dos 40 mil que costumavam transitar pelos corredores mensalmente antes a pandemia.

Com previsão de permanecer em cartaz até agosto de 2021, a mostra de Degas é uma esperança de atrair o público de volta às exposições, já que o artista tem forte apelo popular. Isso, é claro, se a pandemia permitir: na segunda-feira, 30, o governador João Dória anunciou a regressão de todo o estado de São Paulo para a fase amarela do plano de retomada econômica. Nesse estágio, as instituições culturais são permitidas a funcionar com 40% de lotação e horários reduzidos. Segundo o MASP, o prefeito Bruno Covas, que anteriormente permitiu a reabertura apenas na fase verde, deu aval para que os museus sigam em funcionamento, e não há previsão de um novo fechamento “exceto haja mais alguma mudança repentina”, informou a instituição a VEJA.

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DEGAS

4 de dezembro de 2020 a 1º de agosto de 2021

Endereço: avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terça, das 10h às 20h (entrada até 19h30), quarta a sexta, das 13h às 19h (entrada até 18h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até 17h30); fechado às segundas. 

 

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