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Marcius Melhem faz indireta sobre carta em apoio a mulheres da Caixa

Humorista acusado de assédio sexual por ex-colegas de trabalho se manifestou sobre carta enviada a supostas vítimas de abuso por Pedro Guimarães

Por Kelly Miyashiro Atualizado em 1 jul 2022, 18h16 - Publicado em 1 jul 2022, 17h22

Incomodado com as mulheres que o acusam de assédio sexual na Globo, Marcius Melhem publicou uma indireta nas redes sociais nesta sexta-feira, 1º. O grupo de supostas vítimas de Melhem, formado por antigas colegas de trabalho dele, divulgou na mídia uma carta prestando apoio às mulheres que estão acusando Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, de assédio sexual nos bastidores do banco. No documento, as rivais do humorista na Justiça dizem que sabem como foi necessário ter coragem para se manifestarem. Em resposta, Marcius Melhem compartilhou um post irônico no Twitter.

Em seus perfis no Twitter e Instagram, o comediante compartilhou uma carta escrita por sua filha, que também fez desenhos. A imagem diz: “Oi, papai. Aqui é a Manu. Quando você acordar ou dormir, leia isso. Você é o melhor papai do mundo inteiro, sempre se esforça para me agradar e a Nina [a outra filha de Melhem] também. Te amo. Não deixe nada te abalar, nada! Beijos, Manu”. Na legenda do post, Melhem escreveu a indireta. “Nem toda carta é sincera ou sem interesse. Ano passado, num momento especialmente difícil, minha filha Manuela, com 11 anos, escreveu essa carta pra me dar força e coragem. Leio todos os dias, como ela pediu. Porque tem verdade nessa carta”, disse o ex-diretor da Globo.

Amigos de Melhem na rede social, famosos como Fernanda Rodrigues, Léo Castro, Ângela Dipp, Anderson Muller e Angela Dippe curtiram o post dele no Instagram.

Diz um trecho da carta que acabou ricocheteando em Melhem, escrita por dez mulheres que o acusam: “Nós não sabemos seus nomes, mas conhecemos e respeitamos a sua coragem. Sabemos como foi difícil passar por tudo o que vocês passaram. Os assédios, as pressões, as ameaças. E a força que foi necessária para romper o silêncio e fazer as denúncias. Conhecemos os desafios que aparecem ao enfrentarmos um homem em posição de poder, que usa a sua força e o seu cargo para constranger e calar as pessoas. Mas vocês falaram. Vocês foram às autoridades, contaram suas histórias, mostraram sua verdade. O medo de falar é enorme, sabemos. Mas a coragem para romper o silêncio é maior ainda. E como foi importante revelar a verdade e desafiar o poder. Ao fazer isso, vocês não apenas se defenderam, mas protegeram outras mulheres que poderiam ser vítimas do mesmo assédio.”

Confira o post de Marcius Melhem:

Procurada por VEJA, a assessoria de imprensa de Marcius Melhem declarou que ele não vai se pronunciar sobre o assunto.

Confira na íntegra a carta escrita pelas supostas vítimas de Marcius Melhem para as supostas vítimas de Pedro Guimarães:

Às mulheres que denunciaram o assédio sexual na Caixa Econômica Federal.

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Nós não sabemos seus nomes, mas conhecemos e respeitamos a sua coragem. Sabemos como foi difícil passar por tudo o que vocês passaram. Os assédios, as pressões, as ameaças. E a força que foi necessária para romper o silêncio e fazer as denúncias. Conhecemos os desafios que aparecem ao enfrentarmos um homem em posição de poder, que usa a sua força e o seu cargo para constranger e calar as pessoas.

Mas vocês falaram. Vocês foram às autoridades, contaram suas histórias, mostraram sua verdade. O medo de falar é enorme, sabemos. Mas a coragem para romper o silêncio é maior ainda. E como foi importante revelar a verdade e desafiar o poder. Ao fazer isso, vocês não apenas se defenderam, mas protegeram outras mulheres que poderiam ser vítimas do mesmo assédio.

Estamos aqui para, metaforicamente, segurar suas mãos e reforçar seu movimento: não se calem, não cedam, não esmoreçam. Vocês não estão sozinhas. Queremos, num abraço por escrito, tentar apaziguar a dor de tudo que vocês vêm vivendo, pois sabemos exatamente o que vocês sentem. Cada uma de nós sente a dor de cada uma de vocês. E sabemos, não somos poucas.

Esse assédio que vem disfarçado como piadas, como falsa amizade, como a insistência que precisa ser tolerada, sem que possamos reclamar. Do chefe que se impõe, que invade os espaços. Do assédio que é sexual, mas também é moral, porque é feito para calar testemunhas e assustar as pessoas.

A luta de vocês não acabou. Estejam preparadas, porque as próximas batalhas serão tão ou mais duras. O sentimento principal talvez seja o medo. Medo da retaliação do poderoso denunciado, medo pelo futuro de nossas carreiras, medo de que nossa reputação seja posta em jogo, simplesmente porque fizemos o que era correto. O único fio que temos para nos segurar é a certeza de que essa era nossa única opção. Não podíamos suportar mais.

Os assediadores, quando expostos, seguem o mesmo roteiro: o ataque às vítimas. Nos desqualificam como forma de se defenderem, como se houvesse uma justificativa legítima para o assédio. Sabemos que não há. “Foi ela quem pediu”. “Era só uma brincadeira”. “Veja as roupas que ela usava”. Ou, “dei em cima, mas não foi assédio”. Como se a culpa fosse das mulheres. Mas não é.

Ou então, a velha pergunta: “por que não denunciaram antes?”. Como se fosse fácil. O assédio, por definição, é um exercício de poder. Assediadores são poderosos. Têm em suas mãos empregos, carreiras, famílias. O ato de denunciar, seja quando acontecer, é um ato de extrema coragem. Vocês foram bravas. A culpa não é de vocês, como não era nossa. A culpa é de quem assedia. E das pessoas que sabem e ainda assim protegem os assediadores. Nós não sabemos quem são vocês.

Nunca nos falamos, nunca nos vimos e se nos cruzássemos na rua não teríamos como saber que passamos uma pela outra. Mesmo assim temos agora um laço inquebrantável. É por causa de mulheres como vocês que nós seguimos lutando. Daremos forças umas para as outras e não pararemos até que todas as histórias sejam contadas.

Acreditamos que a inspiradora fibra que vocês demonstram, bem como a nossa, é o material com o qual se construirá um futuro mais promissor. Um futuro em que todas as mulheres possam trabalhar sem serem assediadas. Um forte abraço, do GRUPO de vítimas denunciantes de Marcius Melhem,

Somos Muit@s.

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