Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

‘Manchester by the Sea’ trata de luto e trauma sem melodrama

Filme escrito e dirigido por Kenneth Lonergan tem boas atuações de Casey Affleck e Michelle Williams

Por Mariane Morisawa, de Toronto 14 set 2016, 18h24

Dois filmes lideraram os comentários no Sundance Festival, em janeiro: The Birth of a Nation, do estreante Nate Parker, e Manchester by the Sea, terceiro longa-metragem do dramaturgo, roteirista e diretor de teatro Kenneth Lonergan (de Conte Comigo, de 2000, e Margaret, de 2011). Não poderiam ser mais diferentes: enquanto o primeiro mostra a heroica trajetória do líder de uma revolta de escravos nos Estados Unidos, o segundo é um drama contido sobre luto, trauma e culpa.

LEIA TAMBÉM:
Com Ryan Gosling e Emma Stone, ‘La La Land’ é favorito ao Oscar
Natalie Portman brilha como Jacqueline Kennedy em ‘Jackie’

Originalmente, era um projeto que deveria ser dirigido e protagonizado por Matt Damon. Quando sua agenda não permitiu que assumisse a tarefa, ele convocou Lonergan, autor da peça This is Our Youth, em que atuou, e Casey Affleck, irmão de seu grande amigo Ben e companheiro de palco na mesma montagem.

Affleck tem o papel de sua vida em Lee, faz-tudo de um complexo de apartamentos em Boston, cuja comunicação se divide entre grunhidos e insultos e que é dado a arroubos de violência. Quando Joe (Kyle Chandler, sempre ótimo), seu irmão mais velho, morre, Lee é obrigado a cuidar do sobrinho adolescente Patrick (Lucas Hedges) na pequena cidade à beira-mar que dá título ao filme.

Lee fica incomodado em Manchester by the Sea, por motivos que são revelados aos poucos em flashbacks que, como fluxos de memória, invadem a tela sem pedir permissão e revelam um homem diferente anos atrás, quando era casado com Randi (Michelle Williams, que faz muito em poucas cenas).

Personagens que lidam com o luto e fogem de seu passado não são novidade no cinema. Mas Lonergan escreveu diálogos fortes, que vão do drama ao humor em segundos, e evitou a todo custo o melodrama e os caminhos fáceis, ajeitadinhos, que costumam ser usados no cinema americano. Com um elenco afiadíssimo, Manchester by the Sea deve marcar presença entre os indicados ao Oscar do ano que vem.

Continua após a publicidade
Publicidade