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Maitê Proença abre o jogo sobre novelas, drogas, amores, afetos e desafetos

Aos 68 anos, atriz é a convidada do programa semanal da coluna GENTE

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2026, 11h00 | Atualizado em 24 ago 2026, 12h37
Maitê Proença abre o jogo sobre novelas, drogas, amores, afetos e desafetos Priorizar nos meus resultados Google

Uma das artistas mais marcantes da televisão e do teatro brasileiros, Maitê Proença, 68 anos, ganhou projeção nacional em Dona Beija (1986), na extinta TV Manchete. Mas é extensa a lista de outros tantos trabalhos marcantes seus na TV Globo, tais como em O Salvador da Pátria (1989), Felicidade (1991), Torre de Babel (1998) e Passione (2010). Consolidando uma trajetória marcada também pela escrita, pela independência artística e por posicionamentos francos sobre a profissão e a sociedade, Maitê se tornou uma figura de forte personalidade na cultura brasileira, com presença constante no debate sobre arte e comportamento. A atriz é a convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku). Assista.

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QUEDA DA AUDIÊNCIA DA TV GLOBO. “A saída do Boni atrapalhou muito. Boni era um intuitivo, conhecia tudo. Aprendeu sozinho, mas aprendeu muito, sabia muito, sabe, até hoje. Ele disse que para a TV Globo se manter no patamar que ela tinha, só nivelando por cima, porque por baixo não tinha o que eu (ele) quisesse. Não ouviram. Mas ele está estudando ainda, entende do assunto, ele sabe o que está falando. Ele tinha um pulso firme. Mandava embora quem tinha que mandar, sem medo. Depois chorava de ter mandado embora, porque era amigo dele, mas mandava embora. Ele mandou refazer cinco capítulos (de uma novela), tudo de novo, porque estava uma porcaria”.

DEMISSÃO DA GLOBO. “Não foi (uma saída) tranquila, foi conturbada. Entrei com 20 anos, fui mandada embora com 60. E não tinha carta, não tinha aviso prévio, não tinha fundo de garantia, não tinha nada. Se não fosse uma pessoa com alguma disciplina financeira, poderia ter destruído a vida. Eu fui a primeira (dessa leva de demissões dos mais antigos). Mas foi muito feio. Foi muito feio… Eu soube por uma fofoca de jornal. Tinha acabado de fazer Liberdade, Liberdade, sucesso de personagem. E me falaram: ‘Não, fica tranquila que você fica’. E foi. Tentei conversar, não consegui, nem com as pessoas que me recebiam em casa e que eu já tinha chamado para minha casa”.

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LIÇÃO QUE APRENDEU. “A Globo como empresa, como local onde tive imensos prazeres, personagens extraordinários, as equipes com quem a gente trabalhou, isso acabou. Aquelas pessoas com as quais você trabalha de forma recorrente, ‘gente que fica te observando’… Aquele sujeito, o câmera que está no escuro vendo você no momento da sua maior vulnerabilidade, na hora em que você vai entrar em cena, naquela hora que você está super disposta… (ela se emociona)… Você não sabe se vai lembrar o texto, se vai conseguir desempenhar aquele momento de grande emoção, como vai fazer aquela cena. Você ensaiou por três minutos, tudo a toca de caixa, rapidinho, ‘vamos embora e agora estamos gravando’. Ele viu você naquele momento. Ele sabe exatamente o que você vai fazer… São essas pessoas que fazem o negócio valer. É a camareira que está do teu lado na hora que acontece uma qualquer coisa, na hora que uma grande discussão… Já chorei muito em camarim, mas não sou muito chorona, agora estou mais do que era”.

A FAVOR DE VIBRADOR. “Você pode se dar prazer, procurar prazer… Talvez você não consiga ter prazer com um homem. Talvez esteja procurando um caminho para conseguir ser feliz com seu marido. Talvez seja um caminho que uma pessoa protestante ou evangélica possa entender. Ela não consegue gozar, acha ruim e gostaria de trazer ao marido dela, gostaria de ter prazer naquele momento, que não seja um grande sacrifício. Ela está se investigando sozinha. E por que não? Essa descoberta pode vir em qualquer momento da vida. Quer dizer, o prazer é inerente ao ser humano, não tem idade. Se ainda não tiver acontecido, comece a correr. É fácil.

RELAÇÃO COM ADRIANA CALCANHOTO. “Ninguém sofreu, nem eu, nem ela. Quem assumiu foi a sociedade, foi a imprensa que resolveu falar sobre esse assunto. Isso também foi um momento de experimento social, querendo ou não. Como uma mulher não pode ter prazer por outra pessoa dentro dessa ótica heteropatriarcal machista… É uma outra pessoa, com milhares de características. Sedutoras, interessantes, sensíveis, de talento, de encantamentos”.

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TODO MUNDO É UM POUCO BI. “Um pouco. Tem estudos que dizem que várias raças são assim. Na Índia, eles têm essa cultura. Na Grécia antiga, a homossexualidade era incentivada, o homem mais velho com um homem mais jovem. A homossexualidade era a forma de relacionamento entre os sábios. Para se passar ensinamentos. E aquilo envolvia sexo, não era malvisto. É tudo um pouco modismo. A gente está ficando careta. O mundo tem umas ondas. Ele tem umas caretas e depois desencareta”.

RELAÇÃO COM DROGAS. “Meu corpo não aguenta. Eu não dou conta. Nunca fui muito forte para drogas. Bebia, mas raramente, ficava altíssima. Sempre fui fraquinha para todas as drogas, tanto que eu parava antes, porque não dava muito certo para mim. E hoje em dia sei o que vou fazer. Meu corpo não gosta”.

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RUMORES DE QUE SAIU DO RIO. “Dizem as más línguas que eu me mudei pra serra. Mas não foi bem isso, mas de fato eu tenho galinhas agora. Tenho um riozinho de água limpa… Tenho um terreno no Joá (na zona sudoeste do Rio), era isso que eu queria. Queria mexer com a terra, tenho minhocário. Pego o cocô da galinha, boto dentro do minhocário, boto folhas, junto aquele negócio todo, enfim uma vida mais desse jeito, entende? Agora tenho quatro netas. A vida é muito curta para a gente ficar longe das pessoas que se quer bem. Preciso fazer um jeito que seja pertinho”.

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).

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