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Luiz Carlos Barreto chamou política de Bolsonaro para o cinema de “crime de lesa-pátria”

Produtor, que morreu aos 98 anos, criticou cortes no audiovisual e o fim da renovação da Cota de Tela em 2020

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2026, 13h27
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A morte do produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, aos 98 anos, nesta quarta-feira, 22, também resgata posicionamentos firmes que ele adotou em defesa do cinema brasileiro nos últimos anos. Em entrevista de 2020, o produtor classificou como um “crime de lesa-pátria” a condução da política audiovisual durante o governo de Jair Bolsonaro.

Um dos nomes mais influentes da história do cinema nacional, responsável por produções marcantes como Vidas Secas (1963) e Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Barreto argumentou que o setor audiovisual deveria ser tratado como um importante motor econômico. Para ele, o Brasil reunia condições para ocupar posição de destaque na indústria global do entretenimento.

“O cinema é parte da indústria do entretenimento e do lazer. Isso é hoje um dos setores da economia mundial que mais cresce. O Brasil tem tudo para ser um dos líderes dele. Isso não pode ser jogado fora. É um crime de lesa-pátria o que estão tentando fazer com o cinema brasileiro”, afirmou ele na  ocasião, em conversa com a Folha.

Na entrevista, Barretão também criticou a decisão do governo Bolsonaro de não renovar a Cota de Tela, mecanismo que, desde 2001, determinava a reserva de espaço para filmes brasileiros nas salas de cinema. Segundo ele, a medida contrariava uma obrigação prevista em lei. “Um presidente que deixa de cumprir o que está na lei é crime de prevaricação”, declarou.

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As críticas se estendiam ao cenário enfrentado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), que, naquele período, sofria com restrições orçamentárias impostas pelo governo federal. Para Barreto, o enfraquecimento das políticas públicas voltadas ao audiovisual colocava em risco uma cadeia produtiva estratégica tanto para a cultura quanto para a economia do país.

Morte de Luiz Carlos Barreto

O grande produtor do cinema brasileiro Luiz Carlos Barreto morreu na madrugada desta quarta-feira, 22, aos 98 anos. Conhecido como “Barretão“, ele enfrentava problemas de saúde diversos desde março de 2024, após uma queda acidental, e estava internado desde 14 de julho.

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Barretão teve importância ímpar no cenário do Cinema Novo, quando cineastas diversos do Brasil decidiram utilizar as câmeras como ferramenta política , inspirada nos mecanismos do neorrealismo italiano e da nova onda francesa. Tendo se formado em Letras e trabalhado como jornalista e fotojornalista, ele primeiro atuou como diretor de fotografia de Vidas Secas (1963), adaptação do romance homônimo de Graciliano Ramos dirigida por Nelson Pereira dos Santos. Ele repetiria a função apenas uma outra vez, em um filme ainda mais significativo: Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha.

Em 1963, fundou a produtora L.C. Barreto Produções Cinematográficas e assim proporcionou que títulos diversos fossem realizados. A lista inclui Garrincha – Alegria do Povo (1963), A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969).

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Ao longo das seis décadas de carreira, produziu mais de 80 filmes, entre eles sucessos de público históricos como Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), dirigido pelo próprio filho, Bruno Barreto — cuja ilustre carreira ainda trouxe ótimos frutos, entre eles O Beijo no Asfalto (1981) e O Que É Isso, Companheiro? (1997), indicado ao Oscar de melhor filme internacional. O outro filho de Luiz Carlos, Fábio Barreto, também foi grande cineasta e competiu pelo prêmio hollywoodiano com O Quatrilho (1995). Além dos dois, Barretão também é pai de Paula Barreto, que trabalhou na produção dos filmes dos irmãos, entre outros.

O trio é fruto do casamento de Luiz Carlos com Lucy Barreto, que se tornou sua parceira de trabalho na L.C. Barreto. Juntos, eles foram o casal de produtores mais renomado do país.

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Barretão participou dos bastidores de Deus Ainda É Brasileiro, de Cacá Diegues, que será lançado em breve.

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