Na eliminação do Brasil na Copa, Ancelotti não seguiu os conselhos do próprio livro
Obra escrita pelo técnico italiano ganhou nova edição semanas antes de derrota para a Noruega
No final de junho, poucas semanas antes da eliminação do Brasil na Copa do Mundo, em partida contra a Noruega neste domingo, 5, os conselhos do italiano Carlo Ancelotti voltaram às estantes brasileiras com uma nova edição do livro Liderança Tranquila.
Publicado no exterior há dez anos, em 2016, a obra do técnico da seleção brasileira chegou por aqui em 2018, pela Editora Grande Área, e foi reeditado no mês passado pela Planeta. O texto escrito em parceria com os autores Chris Brady e Mike Forde foca no método de gestão do treinador, conhecido pelo diálogo e calma no trato com os seus subordinados.
“O livro apresenta personagens, desafios e decisões que moldaram a vida do atual técnico da seleção brasileira, apresentando um relato inspirador sobre liderança eficaz, desempenho impecável e como aplicar essa filosofia no esporte, nos negócios e na vida”, atesta o anúncio da obra.
Para a tristeza dos brasileiros, o Ancelotti alardeado no livro, e que se fez presente na Europa durante a carreira vitoriosa, não apareceu no jogo contra a Noruega — pelo contrário. Pressionado por resultado depois de um pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães e de um gol cara a cara perdido por Endrick, o italiano cedeu à pressão popular e fez mudanças inglórias apostando na individualidade: foi depois da substituição de Martinelli e Rayan por Neymar e Danilo Santos que o escrete desandou de vez, cedendo espaço para que Haaland brilhasse implacável, balançando a rede por duas vezes. Quando Neymar surgiu para diminuir de pênalti, já não havia tempo para mais nada.
O placar selou o destino torpe da seleção brasileira nos Estados Unidos — a canarinha não caia tão cedo na Copa do Mundo desde 1990, quando foi elimina na Itália pela Argentina, nas oitavas de final daquele torneio. Sinal de que a liderança tranquila e a confiança no próprio esquema — que sobrou contra o Japão para virar o jogo, e fez de Ancelotti um dos técnicos mais vitoriosos do mundo — não deu as caras contra os nórdicos, em um final de semana infame para o futebol brasileiro.







