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Leandro Hassum: ‘Já trabalhei muito como Papai Noel em shopping’

Humorista estrela filme natalino brasileiro 'Tudo Bem no Natal que Vem', na Netflix

Por Felipe Branco Cruz 2 dez 2020, 15h56

Filmes de Natal são uma tradição incontornável nos Estados Unidos e, por tabela, também no Brasil. Porém, o brasileiro ficou acostumado a assistir nos cinemas as histórias contadas por lá, ambientadas naquele clima gélido, com neve, corais cantando pelas ruas e casas iluminadas. Por aqui, a coisa é bem diferente. Tem calor, engarrafamento, praia lotada, briga no supermercado, uva-passa no arroz e piada do pavê. Pois é exatamente essa a vibe do filme Tudo Bem no Natal Que Vem, que estreia na Netflix nesta quinta-feira, 3, estrelado por Leandro Hassum e dirigido por Roberto Santucci (de Até Que A Sorte Nos Separe e O Candidato Honesto). 

O enredo remete ao clássico Feitiço do Tempo (1993), em que um homem fica preso em uma armadilha temporal revivendo o mesmo dia todos os dias. Em Tudo Bem no Natal Que Vem, Jorge, personagem de Hassum, faz aniversário no dia do Natal e odeia ter que dividir a data com o resto do mundo. Então, após um estranho acontecimento, ele passa a esquecer tudo o que aconteceu no ano anterior e só se lembra dos acontecimentos do Natal, ano após ano. Leandro Hassum conversou com VEJA sobre o filme e relembrou o início da carreira, quando trabalhava como Papai Noel em shoppings e supermercados.

Família reunida no filme 'Tudo Bem no Natal Que Vem', da Netflix
Família reunida no filme ‘Tudo Bem no Natal Que Vem’, da Netflix //Divulgação

Neste filme, seu personagem cai do telhado depois de se fantasiar de Papai Noel. No início da carreira, você se vestia de Papai Noel para ganhar uns trocados? Já trabalhei muito como Papai Noel em shopping e supermercados. A gente até tinha treinamento para não decepcionar uma criança. Tipo, não era permitido tirar a barba postiça em público. Lembro uma vez em que eu estava no banheiro do shopping me vestindo e um pai entrou com o filho. Eu corri para o vaso e me escondi para não verem. Depois, eu passei a me fantasiar para a minha filha. Eu tenho a roupa de Papai Noel até hoje, mas depois que eu emagreci, ela ficou muito grande. No set de filmagem, quando a figurinista veio me vestir de Papai Noel, ela disse: “Você sabe que essa roupa é quente e ainda vamos ter que botar enchimento, né?”. Gravamos em novembro do ano passado e estava um baita calor. Eu respondi para ela: “Pode botar o enchimento, pode botar o que você quiser. Eu até te ajudo. Sou P.H.D. em Papai Noel”. 

O brasileiro gosta de filmes de Natal, mas não produz muito — costuma consumir o que vem de fora. Como fazer um filme natalino legitimamente brasileiro? Os filmes natalinos americanos são as referências que temos, né? Mas o Natal brasileiro é bem diferente. Todo Natal tem aquela reunião de família, no verão, com todo mundo junto, se abraçando, brigando, contando piada ruim, falando de futebol e política. Sem querer comparar com outros filmes brasileiros, eu estou feliz que o nosso trabalho está estreando no streaming e não no cinema, estamos vivendo um ano atípico. Acho que o streaming tem papel fundamental e foi a salvação da quarentena. A Netflix virou nossa melhor amiga e melhor companheira para ver filmes sem medo dentro de casa.

Você gosta de filmes de Natal? Eu sou apaixonado por filmes de Natal, como Férias Frustradas de Natal, com o Chevy Chase. Adoro as animações. Gosto do Grinch e a realidade fantástica criada pelo Dr. Seuss. Gosto de Feitiço do Tempo, Esqueçaram de Mim, Um Duende em Nova York. Mas eu gosto, principalmente, do Natal brasileiro. Gosto do tio que rouba o peru, da rabanada, da uva-passa no arroz, da maçã na maionese, do panetonne, que é um bolo que deu errado. Enfim, da castanha que ninguém come, mas tem que comprar. Eu gosto de Natal. 

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