Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Leandra Leal e Cauã Reymond estreiam esta semana no drama ‘Estamos Juntos’

Para viver a médica que enfrenta uma misteriosa doença, atriz acompanhou a rotina dos profissionais do Hospital Escola da USP

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro 31 Maio 2011, 16h03

“No primeiro dia de ensaios no Hospital Escola da USP e vi uma senhora morrer na minha frente”, conta Leandra

Aos 28 anos, Leandra Leal pode ser considerada uma veterana na arte de interpretar. A atriz começou no teatro aos 7 anos, e com 8 já participava de sua primeira novela, Pantanal, interpretando a filha da protagonista Juma (Cristiana Oliveira) no último capítulo. No cinema atuou em nada menos que 15 filmes, o que tornou as filmagens de ‘Estamos Juntos’ mais fácil, certo? Errado. No filme de Toni Venturi, no qual interpreta Carmem, uma jovem médica que deixou sua cidade no interior para construir uma carreira na cidade de São Paulo, a atriz enfrentou uma experiência forte e, até mesmo, assustadora, no laboratório para a construção de sua personagem.

“No primeiro dia de ensaios no Hospital Escola da USP e vi uma senhora morrer na minha frente. Eu nunca tinha visto isto antes. A gente foi acompanhando de longe o momento em que os médicos dão a notícia, é muito emocionante. Claro que você sofre, que o óbito te impressiona, mas o que mais me chamou atenção foi o trabalho daquelas pessoas. Como eles trabalham concretamente em uma coisa que a gente tenta explicar a vida inteira através de religião e tudo mais”, conta Leandra.

E a morte, como conta, a fez pensar na vida. “Era um hospital público. Tem morte, mas tem um trabalho muito bonito de cuidar de vidas. Naquele mesmo dia, na maternidade do hospital, eu conheci um bebê órfão que todos os funcionários cuidavam, era uma menina”, conta, emocionada, para apresentar um pouco de seu papel em ‘Estamos Juntos’. Leandra afirma que o filme é, de certa forma, a síntese destas experiências. Para ela, ao passo que a sua personagem vive uma jovem normal, preocupada com os estudos, trabalho e relacionamentos amorosos, ela também tem que lidar com o universo da doença – dos pacientes e dela mesma.

Independente, mas solitária, Carmem trabalha em um hospital público no centro de São Paulo e dedica praticamente todo o seu tempo à medicina. Com poucos amigos, ela vive em uma espécie de bolha que nem o romance com um sedutor músico argentino consegue estourar. Entretanto, seu mundo começa a desmoronar quando a garota descobre que tem uma doença grave. Terá que aprender a lidar com essa nova situação.

“A Carmem estuda e trabalha muito, não tem tempo para se sensibilizar com nada que não diga respeito à sua realidade imediata. O que é mais ou menos a realidade de muitas pessoas que escolhem esse ofício. Mas a medicina é assim mesmo, apaixonante. Eu e os outros atores do núcleo do hospital saíamos todo dia de lá falando que queríamos estudar cinco anos de medicina para virar médico de verdade. É apaixonante”, repete a atriz.

Continua após a publicidade

Outros núcleos importantes do filme são o ‘quartel-general’ do MSTC (Movimento dos Sem-Teto do Centro de São Paulo), onde a médica se envolve num trabalho voluntário de prevenção e saúde; e uma badalada boate da noite paulistana, na qual trabalham seu amigo de infância Murilo, vivido por Cauã Reymond, gay assumido e conhecido DJ, e Juan, um violinista argentino com quem Carmem tem um curto e intenso romance.

O músico mais jovem que se envolve com a médica é interpretado pelo argentino Nazareno Casero. Filho do ator, cantor e apresentador de TV Alfredo Casero, Nazareno tem a história parecida com a de Leandra. O ator de 24 anos começou a carreira também com sete anos e com nove já atuava no primeiro dos seus 11 longa-metragens. Durante as filmagens de ‘Estamos Juntos’ morou três meses em São Paulo e, mesmo antes de vir, fez curso de português.

“Eu fiz aula na Argentina, mas chegando aqui eu vi que era totalmente diferente. Na primeira semana me levaram ao cinema para ver ‘Nome Próprio’ e eu não compreendia nada. Mas deu para perceber que a Leandra era uma ótima atriz”, conta Nazareno aos risos. Agora, diz ele, compreende e fala fluentemente, ao ponto de ter sido confundido com um gaúcho. “Em São Paulo já vieram me perguntar se eu era do sul, fiquei orgulhoso. Afinal, meu papel era de um argentino que já morava muitos anos no Brasil”, explica em bom ‘portunhol’.

O ator que atualmente está em cena em ‘Cordel Encantado’ é um capítulo à parte em ‘Estamos juntos’. “Eu já acompanhava o trabalho do Cauã na televisão, e depois comecei a reparar que ele estava interessado em cinema e muito interessado em aprender. Vi nele um talento enorme, mas bruto. Precisava ser lapidado, mas, repito, estava com muita vontade de aprender, muito aberto. Ele vai ser um dos grandes atores da geração dele”, aposta Venturi.

Completam o elenco do longa Lee Thalor, Débora Duboc, Sidney Santiago e Dira Paes, que faz participação especial como Leonora, líder comunitária do movimento dos sem-teto. ‘Estamos Juntos’ é uma co-produção Brasil-Argentina, e estréia no Brasil na próxima sexta-feira, dia 3 de junho.

Continua após a publicidade
Publicidade