🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

Laura Cardoso criticou TV atual a VEJA: ‘Já vi ator que não sabe ler direito’

Morta aos 98 anos, atriz opinou em 2017 sobre qualidade da teledramaturgia e nova geração de artistas

Por Amanda Capuano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 ago 2026, 08h55 | Atualizado em 18 ago 2026, 09h16
Laura Cardoso criticou TV atual a VEJA: ‘Já vi ator que não sabe ler direito’ Priorizar nos meus resultados Google

Uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, com papeis que marcaram a memória afetiva dos noveleiros, Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite desta segunda-feira, 17. Em 2017, a atriz concedeu uma entrevista à repórter Meire Kusumoto, de VEJA, em que se declarou feminista e criticou a nova geração de artistas. “Hoje, se você tem um olho azul, um sorriso bonito, uma pele e o corpo, está feito. Tem muitos atores que não precisavam estar aí. Estão porque a carreira tem glamour, eles pensam no carro, na piscina, no tapete branco, na moto. Nunca pensei em piscina. Quando era menina eu nem sabia o que era piscina, era pobre. Já vi ator que não sabe ler direito, uma condição sine qua non para a profissão”, atestou ela.

Na conversa, a veterana também apontou uma queda de qualidade na televisão atual, e disse que se dedicada mais aos documentários, filmes e jornais. “Estou achando que a televisão não está em um bom momento no quesito qualidade. Isso em todas as emissoras. A TV merecia uma reviravolta de qualidade”, disparou ela, criticando também o “esquecimento” dos veteranos. “Tem muita gente que já está aposentada e tem muito valor. Tenho sorte nesse sentido, junto com Fernanda (Montenegro), Nicette (Bruno), Nathalia (Timberg). Queria que tivesse mais oportunidade para todos – se a pessoa está produzindo, bem de saúde, merece trabalhar.”

Confira alguns trechos da entrevista:

A senhora já contou que a profissão de atriz era mal vista quando começou a trabalhar. Como era isso? Exatamente. A mulher sofria mais preconceito do que o homem por causa da profissão. Ela era considerada uma pessoa que não era do bem. As pessoas te viam como uma prostituta. Na verdade, não gosto de falar de prostituta assim, como se eu estivesse falando mal delas – todas são mulheres maravilhosas que trabalham. Se alguma vira prostituta, é porque teve suas razões. Nas festas, as pessoas não se juntavam aos artistas. A gente ficava separado, num canto. De uns anos para cá, isso foi botado de lado, esse preconceito de que ator é vagabundo e atriz é vadia. Agora está muito diferente, você é recebida com todas as honras.

Continua após a publicidade

Acha que o meio artístico é mais machista do que outros? Não que eu esteja defendendo o meu meio, mas ele não é mais machista. Estou nessa carreira desde os 15, 16 anos e nunca senti esse machismo. Talvez tenha havido no passado, mas hoje há muito menos. Sempre teve essa coisa de o homem ganhar mais do que a mulher no trabalho. Hoje não há tanto isso. Também, isso não tinha cabimento, às vezes as atrizes eram muito melhores do que os homens. Mas isso não é só no meio artístico, em todo lugar acontece. Sempre o homem sentado na mesa de chefe e a mulher tinha que ficar de lado. No meio artístico, as pessoas são mais abertas, elas leem mais, há um respeito. Mas não é uma santidade, tem seus altos e baixos, seus tropeços.

Como sua família viu sua escolha de virar atriz? As famílias, naquela época, eram meio repressivas com essa história de arte, diziam que não iam deixar suas filhas seguirem essa carreira porque senão elas iriam virar prostitutas. Meu pai era a favor e a minha contra. Eu era a favor de mim mesma, do que eu queria (risos). Minha mãe não gostava, dizia para eu fazer outras coisas. É interessante que quando você quer de verdade, você vai. Mas você precisa enfrentar o preconceito, o afastamento, as caras feias, as bobagens que dizem para você. Hoje em dia as coisas estão diferentes. ]

Continua após a publicidade

Diferente em que sentido? No meu tempo, a gente queria representar. Hoje, se você tem um olho azul, um sorriso bonito, uma pele e o corpo, está feito. Antes precisava ter o talento, a vocação. Tem muitos atores que não precisavam estar aí, muitos. Estão porque a carreira tem glamour, eles pensam no carro, na piscina, no tapete branco, na moto. Nunca pensei em piscina. Quando era menina eu nem sabia o que era piscina, era pobre. Já vi ator que não sabe ler direito, uma condição sine qua non para a profissão.

A senhora continua trabalhando bastante, mas pode ser considerada uma exceção na TV – poucos são os atores mais velhos que continuam ativos. Por que isso acontece? Há preconceito de idade no meio? É ruim e triste, porque tem muita gente que já está aposentada e tem muito valor. Tenho sorte nesse sentido, junto com Fernanda (Montenegro), Nicette (Bruno), Nathalia (Timberg). Queria que tivesse mais oportunidade para todos – se a pessoa está produzindo, bem de saúde, merece trabalhar. Não acho que seja preconceito, mas talvez um esquecimento.

Continua após a publicidade

A senhora assiste à televisão? Não estou vendo muito. Estou achando que a televisão não está em um bom momento no quesito qualidade. Isso em todas as emissoras. A TV merecia uma reviravolta de qualidade. Vejo mais documentários, filmes, jornais.

A senhora assiste às novelas que faz? Eu gosto para ver os meus erros, sou muito autocrítica. Ainda erro muito, a gente nunca acaba de aprender.

Continua após a publicidade

Que atores da nova geração a senhora acha que têm futuro na dramaturgia brasileira? Cleo Pires, Paolla Oliveira, Ingrid Guimarães.

Pensa em parar de trabalhar? Só morrendo. Eu amo trabalhar.

Continua após a publicidade

 

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).