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Kubrick é destaque da Mostra de Cinema de São Paulo

Diretor americano é o grande homenageado do evento. Asiáticos, porém, invadem a programação com filmes premiados e muitos ainda inéditos no país

Por Diego Braga Norte 5 out 2013, 20h12

Cartaz da Mostra de Cinema de SP
Cartaz da Mostra de Cinema de SP VEJA

​Entre os dias 18 e 31 de outubro, São Paulo sediará a 37ª Mostra Internacional de Cinema. A vasta programação prevê a exibição já confirmada de 369 filmes (há outros que podem ser agregados) espalhados em mais de vinte salas de cinema e em sessões gratuitas ao ar livre no vão do MASP, no Ibirapuera e no Anhangabaú. O cartaz oficial não deixa dúvidas sobre quem é o protagonista da Mostra: o cineasta americano Stanley Kubrick (1928 – 1999) aparece retratado em uma bela aquarela junto com um dos personagens de Barry Lyndon – filme que ele dirigiu, de 1975. A imagem, feita no set de gravação por Christiane Kubrick, mulher do diretor, além de ilustrar o cartaz, inspirou a animação da vinheta oficial. O diretor terá toda sua cinegrafia (treze longas-metragens e três curtas) exibida no evento. Excelente oportunidade para ver (ou rever) filmes como Spartacus (1960), Lolita (1962), 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Laranja Mecânica (1971) e O Iluminado (1980). Além dos filmes, a cidade de São Paulo recebe, de 11 de outubro a 12 de janeiro de 2014, a exposição Stanley Kubrick, inédita na América Latina, abrigada no Museu da Imagem e do Som (MIS).

O cinema asiático tem presença marcante nesta edição do evento. Os cinéfilos poderão se deliciar com a retrospectiva completa de Lav Diaz, cineasta filipino que é figurinha fácil nos festivais internacionais mundo afora, aparecendo ora premiado, ora participando de júris. Já os que preferem filmes mais palatáveis e com visual estonteante podem ficar com Wong Kar Wai. O cultuado diretor encabeça a lista de realizadores chineses com o inédito no Brasil “O Grande Mestre” (2013), filme que abriu o festival de Berlim deste ano e conta a história de Yip Man, mestre de kung fu que teve como aluno ninguém menos que Bruce Lee. Outro destaque inédito é “Um Toque de Pecado”, dirigido por Jia Zhang-Ke, vencedor do prêmio de melhor roteiro no último festival de Cannes. Os japoneses estão representados por nomes como Yasujiro Ozu e Kore Eda Hirokazu. Ozu, que completaria 110 anos em 2013, terá três de suas obras exibidas: Era uma vez em Tóquio (1963), Flor do Equinócio (1958) e A Rotina tem seu Encanto (1962). Já Hirokazu é o diretor de Pais e Filhos (2013), película que venceu o prêmio do júri no último festival de Cannes.

Em parceria com o governo sul-coreano, a Mostra faz um recorte em sua programação para a difusão da cinematografia do país. A seleção prioriza novos diretores do ascendente cinema sul-coreano, com 10 filmes. A ideia dos organizadores, juntamente com a agência que promove o cinema sul-coreano (KOFIC) é assinar um termo de intenções para coproduções entre Brasil e Coreia do Sul. Para isso, a delegação sul-coreana vem reforçada, com a presença dos diretores Jung Byung-Gil, Moon Byeong-Gon e Cho Kyoung-Duk. E a estrela da companhia é Park Chan-Wook, um dos cineastas de maior projeção da Coreia do Sul, diretor da trilogia da vingança, Mr. Vingança (2002), Oldboy (2003) e Lady Vingança (2011). O talento de Wook, multipremiado em festivais, não passou despercebido em Hollywood e ele dirigiu recentemente seu primeiro longa nos EUA, o thriller Segredos de sangue (2013), com as estrelas Mia Wasikowska (de Alice no País das Maravilhas) e Nicole Kidman (que dispensa maiores apresentações).

Brasileiros – Como acontece em todas as edições, haverá uma seleção robusta de obras nacionais, com a exibição de clássicos, longas consagrados, outros nem tanto assim, curtas e documentários . O veterano Eduardo Coutinho, 80 anos, ganha uma retrospectiva abordando sua obra ficcional, documental e jornalística, com a exibição de episódios do Globo Repórter, programa que editou entre 1975 e 1984. Filmes de Walter Salles, Daniela Thomas (Linha de Passe, 2008) e Philippe Barcinski (Não por acaso, 2007) aparecem na programação ao lado do indispensável São Paulo S.A. (1965), de Luís Sérgio Person, e de diretores que exibem seus primeiros títulos. Após recentemente estrear com boa recepção no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, O homem das multidões (2013), de Cao Guimarães e Marcelo Gomes, vem à Mostra com grande expectativa.

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Americanos – Os irmãos Joel e Ethan Coen, vencedores do Oscar de melhor filme em 2008, com Onde os Fracos Não Têm Vez, abrem o festival com o longa Inside Llewyn Davis (2013), ganhador do prêmio do júri em Cannes, neste ano. O filme conta a história do cantor de folk Llewyn Davis, interpretado por Oscar Isaac, e conta ainda com Carey Mulligan (de O Grande Gatsby) e Justin Timberlake. Davis é um jovem músico que tenta sobreviver no universo musical de Greenwich Village, em Nova York no início dos anos 60. Também na Mostra, estreia no Brasil o interessante documentário The Iran Job, de Till Schauder, que conta a história de um jogador de basquete americano que vive no ditatorial e opressor Irã. Outro título promissor do mesmo gênero é Love, Marilyn (2012), dirigido por Liz Garbus, com atores (como Adrien Brody, Glenn Close e outros) lendo cartas enviadas para Marilyn Monroe e trechos até então inéditos de seu diário. Há ainda excertos de filmagens antigas com depoimentos sobre a atriz do escritor Truman Capote (1924-1984), da atriz Lauren Bacall, entre outros.

Serviço

37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Data: de 18 a 31 de outubro

Local: São Paulo}

​Programação, sinopses e horários: a partir do dia 14 de outubro, em http://www.mostra.org

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