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Kanye West: entre o cafona e o divertido no SWU

Rapper apresentou 26 canções em um show que não raro beira a breguice irremediável, embora seja divertido

Por Rodrigo Levino, de Paulínia 12 nov 2011, 23h04

É difícil mensurar o que é maior em Kanye West, se o talento ou o ego. No show que realizou neste sábado, no festival SWU Music & Arts, em Paulínia (SP), o rapper americano alternou momentos inspirados com outros em que parecia alheio à plateia, ensimesmado na grandiosidade de suas canções. Kanye se apresentou praticamente sozinho, com parcas intervenções de um pequeno grupo musical e um corpo de baile espalhafatoso – e dispensável. E abusou – e muito — de efeitos na voz.

Dividida em três atos, a apresentação foi aberta pela sequência H.A.M., Dark Fantasy e Power, uma das melhores canções do último disco de West, My Beautiful Dark Twisted Fantasy. Disco, aliás, responsável pelos melhores momentos do concerto. Músicas como Monster e Runaway — esta apresentada na terceira parte, em uma versão imensa — fazem saltar o talento do cantor para compor temas pomposos, rimas que casam à perfeição com melodias grudentas e batidas dançantes.

O show teve outros bons momentos, com canções como Jesus Walks e Hell of a Life, mas sofreu uma inflexão no segundo ato que quase comprometeu o saldo final. A sequência de músicas como Heartless e Love Lockdown fez decair o ritmo do concerto, que beirou o soporífero. A plateia reagiu com apatia. Pelo menos até a entrada de Fergie, vocalista do The Black Eyed Peas, para uma participação especial em All Of The Lights, canção originalmente gravada por West com Rihanna.

As citações foram uma atração à parte do show. We Will Rock You, do Queen, Pretty Young Thing, de Michael Jackson, e um trecho de Run This Town, de Jay-Z, pontuaram o repertório. Junto ao cenário do show, com lasers, dançarinas e um imenso pano de fundo onde se via uma espécie de divindade pintada ao estilo renascentista, elas deram à performance um ar de musical da Broadway.

Foi um caso daqueles em que o elemento artificial (garantido, por exemplo, pelo uso abusivo do corretor de voz autotune) e o divertido se entrelaçam de tal forma que, assim como o ego e o talento de Kanye, não se consegue distinguir uma coisa da outra. Kanye West desfilou entre o cafona e o divertido. Nunca saindo de cima do próprio ego, é claro.

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