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Judi Dench é rainha Victoria perfeita em filme de Stephen Frears

'Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha' mostra a amizade entre a monarca e um indiano muçulmano

Por Mariane Morisawa, de Toronto - Atualizado em 9 set 2017, 11h52 - Publicado em 9 set 2017, 11h50

E depois de Helen Mirren, teve mais atriz com idade superior a 60 anos brilhando no Festival de Toronto. Com uma performance econômica, feita de gestos mínimos e força nos olhares, a também inglesa Judi Dench tem tudo para abocanhar outra indicação ao Oscar por Victoria & Abdul: O Confidente da Rainha, de Stephen Frears – seria sua oitava, com uma vitória por Shakespeare Apaixonado.

Aos 82, Dench interpreta a rainha Victoria, que reinou por 63 anos e 216 dias – ela foi ultrapassada pela rainha Elizabeth 2a, no poder há mais de 65 anos. Com 81 anos, Victoria está cansada e sem paciência para os rituais do trono. Eis que chega à corte Abdul Karim (Ali Fazal), um indiano encarregado de entregar à rainha uma medalha comemorativa do seu país, que, na época, era parte do Império Britânico. Com uma dose de desprendimento e inocência, Abdul acaba conquistando a confiança e a amizade da rainha, que o contrata como “munshi”, ou professor, ganhando nova disposição para a vida.

O diretor Stephen Frears não é exatamente sutil ao mostrar as diferenças culturais entre a rainha da Inglaterra e toda a sua corte e um indiano muçulmano de origem simples. O relacionamento provocou escândalo, numa sociedade como a inglesa marcada pelas classes sociais na virada do século 20. Por vezes, força a mão para conseguir momentos cômicos, com pouca sensibilidade. Mas o roteiro de Lee Hall tenta ser equilibrado ao mostrar que, a despeito de sua posição, Abdul tinha muito a oferecer para a rainha. Num momento em que o outro provoca tanto medo, é bom ver um filme que mostra que ter a cabeça aberta para ouvir o que esse desconhecido tem a dizer pode ser a melhor solução.

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