João Barone, dos Paralamas: ‘Nunca perdemos a enorme satisfação de tocar juntos’
O baterista segue na estrada com a banda formada por Herbert Vianna e Bi Ribeiro e observa de perto os novos rumos do gênero que os consagrou
Os Paralamas do Sucesso estão juntos há 44 anos com a mesma formação, o que é uma raridade. Qual o segredo? Pois é, os Beatles não duraram nem dez anos, assim como o The Police e Os Mutantes não resistiram às tensões internas. Nós, por sorte, nunca perdemos a enorme satisfação de tocar juntos. Como Herbert diz, estamos só começando mais um ciclo de quarenta anos.
No dia 1º de agosto, a banda toca no festival João Rock, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ir além das capitais e participar de eventos com forte presença jovem como esse se tornou uma prioridade? Sim. Esse sucesso prova a força do rock e contraria quem comete o erro de comparar nossa cena com outros nichos muito populares.
A banda integra outro festival voltado ao segmento em 22 de agosto, o inédito C6 no Rock, tocando o disco Selvagem?, de 1986, na íntegra. O que esse álbum ainda diz sobre o Brasil? Ficamos felizes com o reconhecimento desse trabalho, mas é terrível ver que os temas do disco continuam atuais, como a violência policial e tantas outras injustiças sociais. Os Titãs também capturaram as mazelas do Brasil com Cabeça Dinossauro, e vejo que nossa geração teve o privilégio de deixar o rock com a cara do nosso país.
Hoje já não é tão comum ver letras explicitamente políticas no topo das paradas. A que atribui essa ausência? Não precisamos teorizar muito para perceber que vivemos uma realidade dinâmica, diferente do que foram os anos 1980. Fomos do vinil ao streaming, e creio que o hip-hop e o funk assumiram esse papel de falar sobre a realidade social. Mesmo assim, é saudável discutir como o rock se renova. Basta ver o trabalho de boas bandas, como Boogarins e BaianaSystem.
Como os Paralamas se mantêm atuais? Há um grande interesse da nova geração pela trajetória de veteranos. Vi muita garotada na plateia dos Titãs, por exemplo. Conosco é parecido. Encerramos nossa turnê comemorativa de quarenta anos, em 2025, com 50 000 pessoas na plateia. Já nos anos 1990, percebíamos pais levando seus filhos para os shows. Hoje, vemos avôs e netos.
O último disco de inéditas dos Paralamas foi lançado em 2017. Há algo no horizonte? Queremos gravar um álbum novo e estamos organizando nossas agendas para isso. Os últimos três anos foram muito intensos por causa da turnê comemorativa, mas logo vamos nos encontrar no estúdio e veremos letras novas do Herbert Vianna.
Publicado em VEJA de 17 de julho de 2026, edição nº 3004







