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Jô Soares pede desculpa por destratar pesquisador de black blocs

Em entrevista tensa exibida nesta segunda-feira na Globo, apresentador cortou falas dos escritores e reagiu com ironia ao que eles diziam

Por Da redação Atualizado em 11 out 2016, 20h06 - Publicado em 11 out 2016, 17h40

Um dos entrevistados de Jô Soares nesta segunda-feira, o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso afirmou que o apresentador da Globo telefonou para ele para pedir desculpas pela conversa no programa. Na entrevista, Jô recebeu Manso, Esther Solano e Willian Novaes para falar sobre o livro Mascarados – A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc, mas se desentendeu com os autores, cortando suas falas e reagindo com ironia ao que eles diziam.

“Como é que você decidiu se dedicar a essa coisa tão tenebrosa?”, começou Jô, perguntando a Esther, que disse que “a coisa não é tão tenebrosa assim”. “Eu vi vários deles com suásticas enormes pintadas nas costas”, disse Jô. “Black blocs, não. Ou então, muito poucos. Dos que eu entrevistei, nenhum”, respondeu Esther. “Mas um já dá para ser bastante”, rebateu o jornalista. “Mas por um você não pode intitular o resto como fascista, um não é a massa”, rebateu a pesquisadora.

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Jô continuou a entrevista em tom irônico. “E o jornalista que morreu com essa violência. Tudo bem?”, disse, lembrando o caso do cinegrafista Santiago Andrade, morto durante manifestações em 2014. “Não, óbvio que não está tudo bem, jamais estaria tudo bem”, disse Esther. Jô voltou ao assunto do nazismo, comparando a tática black bloc com o que se passava na Alemanha nazista, enquanto Esther balançava a cabeça, discordando. “Não tem nada a ver”, disse ela. A entrevista seguiu tensa até o final.

Em seu perfil no Facebook, Bruno Paes Manso contou sobre a ligação do apresentador, no começo da tarde desta terça-feira “Olha só, pessoal, só vou aqui fazer um registro que eu acho justo. Ontem à noite eu estava bebendo no bar com um colega quando tocou o meu telefone. Era o Jô Soares (achei que era trote, SQN)”, escreveu. “Ele pediu desculpas pela entrevista, disse que não tinha dado tempo para a gente responder… Fiquei até sem graça. Falei que não precisava se desculpar e tal. Quem nunca viajou numa conversa, afinal? Quantas vezes eu mesmo não fui despreparado para um entrevista? Enfim, ele foi bem gentil e percebeu que errou. E nem precisava me ligar, mas ligou. Acho legal contar isso aqui, mesmo porque eu sou um advogado de defesa frustrado que seguiu outra carreira.”

Esther também comentou o telefonema. “Fiquei sabendo agora que Jô Soares ligou para o colega Bruno Paes Manso ontem à noite para se desculpar pela entrevista. Como eu defendo sempre o debate e nunca o linchamento, agradeço e aceito as desculpas. Coloco aqui para que vocês saibam também”, escreveu em seu perfil.

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