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Janelle Monáe, a maior revelação da música americana

Aos 25 anos, a cantora junta funk, soul, R&B e dança num show que pode ser um dos melhores do ano no Brasil

Por Rodrigo Levino - 2 jan 2011, 11h52

Dois anos mais jovem que Amy, exibe um sólido cardápio de músicas dançantes de soul, funk, hip hop e R&B, voz afinada de timbre agudo, performance dramática e pautada pela dança que remete a grandes nomes como James Brown, Michael Jackson e Prince.

A cantora inglesa Amy Winehouse encerrará nesta sábado (15) a turnê que realiza na Brasil desde o dia 08 de janeiro. Até aqui, com uma sequência de apresentações trôpegas. Nenhuma novidade se considerado o seu histórico. Desde 2007, quando lançou o disco Back to Black, Amy se consagrou como a mais relevante artista de soul da sua geração — e destacou-se e pela vida desregrada e repleta de escândalos.

O excesso de bebidas e drogas tornou as apresentações da cantora irregulares, destacando-se um sem número de fiascos, ocasiões em que Amy esqueceu as letras, enrolou a língua ou até desmoronou no palco, como na última quinta-feira (13), durante um show em Recife (PE). Uma batalha — involuntária, diga-se — perdida para a concorrente de peso e que tem se apresentado imediatamente antes de Amy: a americana Janelle Monáe.

Dois anos mais jovem que Amy, exibe um sólido cardápio de músicas dançantes de soul, funk, hip hop e R&B, voz afinada de timbre agudo, performance dramática e pautada pela dança que remete a grandes nomes como James Brown, Michael Jackson e Prince. Foi o que surpreendeu 3 milhões de americanos que assistiram em 18 de maio de 2010 a sua primeira apresentação na TV, no programa Late Show, apresentado por David Letterman no canal CBS.

Então com 24 anos, Janelle arrebatou a platéia vestindo um smoking acinturado e os cabelos ajeitados em um coque altíssimo, cantando Tightrope, canção que figura nas listas de jornais e revistas americanos e europeus entre as melhores de 2010. Deixou o palco ovacionada, saudada por Letterman como “tremenda!” e, como raras vezes acontecem no mundo pop, consagrada no debut e elevada ao posto de maior revelação do ano da música americana.

Corais e ficção científica – A voz de Janelle Monáe Robinson foi moldada em corais negros do subúrbio de Kansas City, onde ela nasceu. Filha de mãe faxineira e pai motorista de caminhão viciado em crack, Janelle chegou a colaborar com o orçamento da casa participando de concursos de calouros.

Seu talento deve muito às crises familiares. Nos períodos mais graves, ela era mandada para a casa da avó onde se entretinha com discos de spirituals, blues e soul, assistindo a vídeos de antigos musicais e séries de ficção científica como Além da Imaginação.

Em 2004, aos 18 anos e com uma bolsa de estudos concedida pela American Musical & Dramatic Academy, Janelle chegou a Nova York pensando em se tornar uma estrela da Broadway, onde poderia cantar, dançar e sapatear, atividade a que se dedicava desde os 10 anos de idade.

Os estudos não lhe pareceram instigantes. Depois de abandonar a escola a cantora se mudou para Atlanta. Dada a quantidade de cantores e grupos que pipocam em seus clubes e restaurantes, a cidade é considerada por alguns críticos americanos como à “nova Motown”, numa referência a célebre gravadora que revelou os maiores nomes da música negra americana ao longo da segunda metade do século XX.

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Janelle Monae
Janelle Monae VEJA

A passos largos – Foi no Justin’s, restaurante do cantor Diddy (Sean Combs), que o rapper Big Boi, do duo OutKast, viu Janelle cantando Killing Me Softly, de Roberta Flack. A surpresa do músico com o talento da moça rendeu um convite para que participasse do disco Idlewild, lançado pelo OutKast em 2006. Convencido de que tinha ovos de ouro debaixo do próprio nariz, Combs voou até Atlanta e ofereceu à cantora um contrato de gravação de um disco pelo selo Bad Boy Records.

A parceria rendeu um EP com cinco canções chamado The Chase Suite. A cantora recebeu uma indicação ao Grammy pelo trabalho que abriu caminho para o disco conceitual The ArchAndroid. Nele, Janelle se esmera em 21 canções e vinhetas com influências de soul, funk, swing e hip hop, com letras que se referem à ficção científica de filmes como Metropolis (1927), do diretor Fritz Lang, e Matrix (1999), dos irmãos Wachowski, para narrar a saga de Cindy Mayweather, seu alter ego, num mundo de robôs e máquinas.

O jornal The New York Times chamou o álbum de “tour de force de piscodelia, funk e hip hop” e “uma múltipla visão da música do passado e do futuro nos Estados Unidos”. Numa entrevista ao Chicago Tribune, Janelle disse que se identificava com andróides e que sua música é influenciada por Lauryn Hill, Frank Sinatra e até pela a banda de rock Nirvana.

Todos esses elementos são facilmente reconhecíveis nos shows da cantora, mas nenhum deles suplanta o resgate que Janelle fez, ao seu modo, de uma marca dos grandes crooners e entertainers americanos: a dança. Seus movimentos têm algo de improviso e brilhante espontaneidade, e oferecem um espetáculo bastante diferente daquele que Beyoncé, Rihana ou Fergie, com suas coreografias ultraenssaiadas, costumam apresentar.

Assista abaixo a apresentação de Janelle Monáe no Late Show, de David Letterman

https://youtube.com/watch?v=vMyc148Do_Q

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O figurino de Janelle Monáe, com peças clássicas como smoking e calças de alfaiataria, ao que se sabe escolhidas pela própria, chamou a atenção do estilista alemão Karl Lagerfeld. No último dia 01 de dezembro, quando completou 25 anos de idade fazendo um show em Moscou, na Rússia, Janelle ouviu de Lagerfeld: “Você é maravilhosa, tem muito estilo e um jeito único de se mover”. (VIDEO)

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