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Irmã de Renato Russo diz que mãe ficou deprimida após afastamento de neto

Família criticou a decisão de Giuliano Manfredini de doar itens do cantor para bazar

Por Lucas Almeida 6 abr 2018, 09h00

A cantora Carmem Manfredini, irmã de Renato Russo, o líder da Legião Urbana, diz que o afastamento do sobrinho, Giuliano, do resto da família afetou especialmente a mãe do cantor, Carminha Manfredini. “Ele sempre foi muito próximo a nós. Como um filho e sobrinho verdadeiramente é”, conta Carmem em entrevista a VEJA. Carmem e Carminha divulgaram uma carta nesta semana com críticas à iniciativa de Giuliano Manfredini de doar peças do apartamento em que o pai morava, em Ipanema. Os pertences pessoais serão vendidos em bazar do Retiro dos Artistas, asilo que conta com doações para se manter.

No texto, elas afirmam que o filho de Renato chegou a trocar as fechaduras do local, sem avisá-las. O caso teria levado dona Carminha à depressão: “Ela ficou deprimida por ser privada de entrar no lar do filho que ela tanto amava e ama, obviamente. Foi uma dor insuportável”, diz Carmen.

  • O bazar com mais de 200 itens de Renato Russo está marcado para este sábado, 7, no Retiro dos Artistas, casa que hoje atende 50 pessoas. Confira a entrevista completa com a cantora Carmem Manfredini:

     

    Como a família recebeu a notícia de que o Giuliano faria o leilão? Recebemos a notícia através de um amigo da família e ficamos muito tristes e indignadas, pois sempre cuidamos com muito carinho desse patrimônio do meu irmão. Esse material deveria estar sempre disponível ao público, através de mostras, exposições, trabalhos e projetos futuros como um livro de fotografias de seus pertences, por exemplo. Foi o que fiz em 2004, quando esse acervo foi mostrado aos fãs de todo o Brasil na exposição Renato Russo Manfredini Júnior, no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, sob a minha curadoria e de Renata Azambuja. Foi uma linda exposição, com ótima resposta e crítica de público e mídia, e a primeiríssima vez que as pessoas puderam apreciar esses objetos do seu ídolo.

    Com que peças do Renato você gostaria de ficar? E sua mãe? Sinceramente, com todas! Pois o valor sentimental e o amor que temos por elas são muito grandes, mas adoraria poder ter os LPs, pois não tenho ideia de quais serão vendidos. O meu irmão guardou todos os LPs que foram dados para nós quando éramos crianças e morávamos nos Estados Unidos. A minha mãe também, se pudesse escolher, manteria tudo com carinho, mas tenho certeza de que escolheria as roupas. Como o legado dele transpõe esse amor e afeição familiar, no entanto, disponibilizaríamos seus pertences para o Espaço Cultural Renato Russo, por exemplo, que será reinaugurado em junho deste ano em Brasília. Assim, seria viável que inúmeros fãs pudessem resgatar sua memória através desses objetos tão preciosos para eles.

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    Quando foi a última vez que vocês conversaram com o Giuliano? Há quase três anos não temos nenhum contato. Nem sequer sabemos onde ele mora. Soubemos que se encontra em Portugal, pela entrevista que deu a uma rádio, mas amanhã já pode estar em outro lugar. A última vez que vi o Giuliano foi em junho de 2016, quando passou em nossa casa em Brasília para pegar documentos referentes à empresa Legião Urbana. Ele sempre foi muito próximo. Como um filho e sobrinho verdadeiramente é. Família mesmo. E sempre foi muito querido pelos primos e tios. Mas já na preparação para assumir a empresa começou a se distanciar e mostrar outro tipo de comportamento.

    Na carta divulgada nesta semana, a senhora comenta que a sua mãe ficou com depressão depois do caso da troca de fechaduras. Ela  chegou a fazer algum tratamento? Ela ficou deprimida por ser privada de entrar no lar do filho que ela tanto amava e ama, obviamente. Foi uma dor insuportável. Estávamos passando férias no Rio e não conseguimos encontrar Giuliano, que também é seu filho, para que esclarecesse o motivo da troca de fechadura. Ela recorreu à sua médica de confiança, que prescreveu medicamentos. Está melhor agora. É uma mulher de 82 anos forte, corajosa, que já passou por duas perdas grandes dos dois Renatos: o pai e o filho.

    Depois da divulgação da carta, qual a reação do público? De muito apoio, principalmente das pessoas que nos conhecem e sabem da nossa índole. Os fãs, de modo geral, estão muito receptivos à nossa consternação. Agradecemos a todos pelo imenso carinho.

    A família pretende fazer alguma coisa para impedir o bazar? Não. Giuliano é o detentor do espólio e herdeiro universal, portanto, infelizmente ele pode fazer o que quiser com o mesmo. Em hipótese alguma estamos contra qualquer ajuda para o Retiro dos Artistas, que tem todo o nosso respeito e consideração. A carta foi com intuito de tentar sensibilizar o Giuliano, o que não ocorreu, e para que ele pudesse ajudar o Retiro dos Artistas de outras formas, para que esses objetos pessoais do meu irmão, Júnior, se mantivessem preservados para ele mesmo, para a família e para os admiradores de sua obra.

    Você canta músicas do seu irmão? Canto. Porque antes de tudo sou fã incondicional e também para preservar a sua memória. A música Giz é sempre cantada, pois a letra se refere à nossa infância, me remete a ela.

    Como vê a obra da Legião Urbana? Vejo com muito orgulho e felicidade, pois vi e vivi a história dessa que foi e continuará sendo, quem sabe, a maior banda de rock do Brasil. “Urbana Legio Omnia Vincit” ( A Legião Urbana Tudo Vence).

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