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Iphan autoriza Silvio Santos a erguer torres em volta do Teatro Oficina

Empresário e apresentador quer construir e vender apartamentos residenciais onde companhia teatral propunha criar um parque público. Grupo vai recorrer

Por Maria Carolina Maia Atualizado em 1 jun 2018, 09h20 - Publicado em 30 Maio 2018, 12h54

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deu aval, em reunião realizada na última sexta-feira, ao parecer técnico da Sisan, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, que tem o projeto de erguer prédios residenciais de mais de cem metros de altura nos terrenos em volta do Teatro Oficina, do dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, no bairro do Bixiga, em São Paulo. 

  • A decisão do órgão, vinculado ao Ministério da Cultura, era a última que faltava para que a disputa entre Silvio Santos e o Oficina chegasse a um termo. Reformado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), a mesma que assina o Masp e o Sesc Pompeia, o prédio do Teatro Oficina foi tombado em nível estadual em 1983 e no federal em 2010, pelo próprio Iphan, tombamento revertido em nível estadual, no ano passado, pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

  • Em dezembro, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) se eximiu de votar a questão, deixando a decisão final para o Iphan — para levar adiante seu projeto imobiliário, Silvio Santos precisa de autorização dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico nos três níveis: municipal, estadual e federal. Procurado, o advogado do Teatro Oficina, Márcio Sotelo, afirma que a companhia vai recorrer da decisão. “Há muita briga pela frente. A barbárie será enfrentada”, diz Sotelo.

    A autorização desta sexta-feira vai contra uma carta divulgada pelo conselho do próprio Iphan, que disse ver uma “ameaça concreta de transformação de ambiência de bem nacional” no projeto do dono do SBT. “Edifícios altos imediatamente vizinhos, caso construídos, privarão a comunidade teatral, o bairro do Bixiga e a cidade de São Paulo da historicidade dinâmica e da produção de narrativas tão bem expressas na materialidade da arquitetura e do entorno do Teatro Oficina, conforme registra o tombamento federal”, afirmava a carta.

  • Há 37 anos, com avanços, recuos e até desistência, Silvio Santos tenta empreender nos terrenos que adquiriu em volta do teatro. Já a companhia teatral propõe fazer da área um parque público, ideia que já constava do projeto de Lina Bo Bardi. A arquiteta morreu pouco antes de inaugurar o teatro reformado por ela.

    Uma das características do projeto de Lina Bo Bardi, assinado em parceria com o arquiteto Edson Elito, é uma imensa janela na lateral, diante da arquibancada do teatro. Essa janela faz uma contracenação — ou comunicação — do teatro com a cidade de São Paulo, algo que deve se perder com uma torre diante do famoso janelão de Lina.

    (Com Lucas Almeida)

     

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