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IMPERDÍVEL – Serena Assumpção recria o terreiro no póstumo ‘Ascensão’

Disco do selo Sesc reúne faixas em homenagem a orixás e nomes como Céu, Tulipa Ruiz, Curumim e a irmã de Serena, Anelis

Por Maria Carolina Maia - 8 jul 2016, 22h10

Manancial do que há de melhor na música, do samba ao blues, a cultura africana é a fonte primária do belo disco póstumo de Serena Assumpção, filha do cantor e compositor Itamar Assumpção, um dos estandartes da vanguarda paulista. Serena, como o pai, morreu de câncer. A produtora musical foi velada em março deste ano, pouco depois de finalizar Ascensão, um projeto que levou cinco anos e uma turma das maiores e melhores ao estúdio. Desde que recebeu do terreiro Ile De Oba De Dessemi, em 2009, a missão de registrar em disco cantos de orixás como Oxum, Ogum e Xangô, Serena saiu convidando músicos e cantores como Céu, Tulipa Ruiz, Mariana Aydar, Xênia França, Curumim e a irmã, Anelis, para dar corpo ao projeto. A própria Serena canta pouco no álbum. Seu papel parece o de orquestrar diferentes talentos em torno da releitura de músicas de domínio público e de composições de Gilberto Martins — que por vezes retrabalha cantos tradicionais. Curumim, por exemplo, canta a Saudação ao Caboclo Pedra Preta, pinçada do disco O Rei do Candomblé, de Joãozinho da Goméia, na faixa Pavão, para Oxossi. A música original entra no começo, e Curumim aparece em seguida, com a canção reestilizada. Um bonito projeto para fazer a cabeça de quem ainda não conhece a rica mitologia africana.

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