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IMPERDÍVEL: Em ‘diário’, autor faz análise mordaz da velhice

Na Holanda, houve um frenesi em torno de Hendrik Groen, um pseudônimo como Elena Ferrante

Por Maria Carolina Maia 10 dez 2016, 06h15

(Tradução de Mariângela Guimarães, 368 páginas, Planeta, 49,90 reais) Sucesso na Holanda, onde foi publicado pela primeira vez há dois anos, o livro Tentativas de Fazer Algo da Vida (The Secret Diary of Hendrik Groen 83 1/2 Years Old, na tradução para o inglês) não chegou a fazer de Hendrik Groen um pseudônimo tão famoso quanto a italiana Elena Ferrante, mas é um belo romance de estreia. Nele, um homem de 83 anos e meio, que chama a si mesmo pelo nome do autor que assina o livro, escreve um diário para ser lido por um amigo em seu velório — e horrorizar os colegas do asilo onde vive. Ali, ele descreve não apenas o inferno que pode ser envelhecer, mas também os problemas da casa de repouso onde deve passar seus últimos dias, ao norte de Amsterdã. 

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“Bonito nome, ‘sala de estar’, mas vende gato por lebre. ‘Salão RRR’ seria melhor. Os três erres significando: resmungar, reclamar e ridicularizar. Tarefas diárias, para alguns”, escreve em certa parte. “Também fui ao médico. Ele estava doente. Em caso de emergência, podemos ir ao médico de uma casa de repouso concorrente. Tem gente que prefere morrer a deixar ‘o charlatão do Lar do Crepúsculo’ olhar seu enrugado saco de ossos. Já outros querem ser levados de helicóptero para o hospital por qualquer um. Para mim, não faz diferença qual médico me diz que já não há muito a ser feito.”

 

 

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