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IMPERDÍVEL: Como ‘Hannah Arendt’, ‘Negação’ tem debate de ideias

Longa com Rachel Weisz conta história real da discussão, dentro de um tribunal, iniciada por um historiador britânico que nega a existência do Holocausto

Por Maria Carolina Maia - 11 mar 2017, 07h35

Não há ação, mas um intenso debate de ideias, além de um tiroteio de evidências práticas e teóricas, capaz de reter a atenção do espectador. De um lado, está o historiador britânico David Irving (Timothy Spall), considerado um negacionista por sustentar a tese de que não há provas suficientes da existência do Holocausto. Do outro, a historiadora americana Deborah Lipstadt (Rachel Weisz), que o criticou em um livro e, acusada de difamação, foi chamada a defender sua posição em um tribunal em Londres, onde as leis obrigam o possível ofensor a provar que está correto. Real, o embate judicial ocorrido em 1996 entre Irving e Lipstadt é a base de Negação, longa de Mick Jackson que lembra o ótimo Hannah Arendt, uma narrativa da elaboração da teoria, tecida pela filósofa na plateia do julgamento de nazistas após a Segunda Guerra Mundial, da banalidade do mal – aquela que diz que um funcionário segue uma orientação superior, a despeito de seu potencial nocivo, apenas para cumprir ordem. Negação não chega a ser excelente como Hannah Arendt, mas não fica muito atrás. É tão incrível que alguém questione o mal que Adolf Hitler infligiu aos judeus, e ainda mais que leve isso às barras de um tribunal, que por si só o longa já instiga. O arrolar das provas, para quem gosta de história, é uma camada extra de interesse.

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