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Henry Cavill: ‘Sejamos francos, ser o Super-Homem implica desconforto físico’

Ator inglês conta detalhes de como foi sua preparação para interpretar Clark Kent no longa 'Homem de Aço', que estreia na próxima sexta-feira

Por Isabela Boscov
6 jul 2013, 10h04

Em janeiro de 2012, enquanto concluía as filmagens de Homem de Aço (que estreia na próxima sexta-feira, dia 12, no Brasil) em locação na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, o ator inglês Henry Cavill conversou com a editora executiva de VEJA Isabela Boscov sobre seu trabalho como Super-Homem e as suas perspectivas para o futuro. Leia, a seguir, trechos da entrevista:

A produtora Deborah Snyder disse que você foi submetido a todo tipo de sofrimento durante o último ano de trabalho: frio extremo e calor insuportável, dieta de fome e superalimentação, horas de treino físico seguidas de muitas horas mais de filmagem – e até agora ninguém ouviu você murmurar uma queixa. Essa fortitude é sua ou faz parte do personagem? Acho que é, primeiro, a forma como meus pais me educaram – a não ficar choramingando. E, depois, sejamos francos: o papel implica desconforto físico, mas esse desconforto está longe de ser sofrimento real. Estamos aqui, num set de filmagem, com toda segurança e todo amparo, e uma hora o desconforto acaba. Além disso, estou interpretando o Super-Homem, que é algo que durante tanto tempo eu quis fazer. Vou reclamar do quê?

Este é um papel que quase não aconteceu para você – aliás, você de fato o perdeu, em 2006. Fiz o teste e não passei, no Super-Homem de Bryan Singer, que acabou ficando com Brandon Routh. Achei que tinha superado o desapontamento e deixado isso para trás, mas a verdade é que fiquei eufórico quando, desta vez, fiquei com o personagem. E, tendo trabalhado no filme já por vários meses, tenho certeza de que o ganhei na hora certa: olhando para trás, não creio que estivesse pronto para isto seis anos atrás.

Como ator ou em termos pessoais? As duas coisas. Como ator e como indivíduo, eu naturalmente era mais imaturo então do que agora. Desta vez, por exemplo, não tive nenhuma trepidação sobre questões que são, aliás, bem palpáveis: se vou fazer jus ao personagem ou não, se ele vai a definir a minha carreira, se vou conseguir lidar com o tipo de atenção que um filme como este atrai para um ator. Hoje em dia estou seguro de que, estando cercado de profissionais de qualidade como os deste projeto, é loucura ficar se entregando a dúvidas ou medos. Uma oportunidade como esta tem de ser tomada e aproveitada nos termos dela; o depois é o depois. Em princípio, qualquer grande papel, seja ele de super-herói ou não, tem o poder de definir a carreira de um ator. Cabe ao ator, portanto, demonstrar a força e a competência necessárias para, por assim dizer, sair da forma mais adiante.

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Quando você assiste às cenas do dia, sente que convence como Super-Homem? Só vejo erros. Mas a maioria dos atores que eu conheço é assim: nunca valoriza os eventuais aspectos positivos e só enxerga as falhas.

Essa autocrítica não pode acabar se tornando destrutiva para a interpretação? Pode, sem dúvida. É uma linha tênue essa a que separa o perfeccionismo da insegurança. A melhor coisa a fazer, quando você está assistindo às cenas do dia, é olhar para o lado: com sorte, o diretor vai estar com uma cara mais animada do que a sua. Tanto quanto se autocriticar, é importante entender como outras pessoas reagem a você; nem tudo aquilo que você acha que é um defeito é real.

Outro papel cobiçado para o qual você foi cogitado, mas não escolhido, foi o de James Bond. E acho fantástico que tenham escolhido Daniel Craig. Não posso imaginar outro ator que não ele como 007. Fui descartado, antes de mais nada, por ser jovem demais na ocasião. E era mesmo. Fico feliz por ter sido deixado de lado. No futuro, quem sabe…

Uma entrevista não é base para julgamentos, mas você parece ser uma pessoa muito serena. É uma impressão correta? Com o tempo, aprende-se a tomar o controle daquelas coisas que é possível controlar – quando se preocupar e quando confiar, quando acelerar e quando descansar. Com o tempo e com a família, diga-se: meus irmãos são assim e me ensinaram a ser assim também.

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A preparação física para Homem de Aço, de acordo com a produtora Deborah Snyder, foi um capítulo à parte: primeiro você teve de ganhar massa rapidamente, e depois perdê-la mais rapidamente ainda, para deixar só músculo. É saudável se submeter a um processo como esse? Depende do tipo físico. Eu não sou uma pessoa naturalmente esguia e, se quisesse me manter sempre nesse nível de condicionamento exigido para o papel, de 5% de gordura corporal, provavelmente prejudicaria muito a minha saúde. Na fase de perda, me senti muito fraco, cansado e sem energia. Mas existe um equilíbrio possível, e para alguém nesta profissão é bom chegar a ele: é tão penoso atingir certo nível de condicionamento que dói muito menos, em longo prazo, manter-se sempre perto dele.

As filmagens estão acabando, e você terá quase um ano e meio de espera até que Homem de Aço seja lançado. Qual a melhor política quando se tem algo desta dimensão no horizonte? Tirar férias, trabalhar em tantos outros projetos quanto possível? A minha política, pessoalmente, é nem uma coisa nem outra: é tentar encontrar um, talvez dois projetos muito bons. Acho que este é o momento de ser seletivo. (Cavill esteve em apenas um filme em 2012, Fuga Implacável, com Bruce Willis, e agora está em preparação para O Homem da U.N.C.L.E., do diretor inglês Guy Ritchie.)

Em Homem de Aço, você enfrentou semanas de trabalho contra uma tela verde, para as sequências em que os efeitos digitais são acrescentados na pós-produção. Alguns atores dizem que o verde é desorientador, outros que de certa forma volta-se à essência da arte dramática, já que não cenários nem objetos, só a atuação pura e simples – uma espécie de pantomima. Qual a sua conclusão pessoal? É desorientador, sem dúvida, porque rapidamente perde-se a noção de profundidade quando se está contra as telas verdes. É cansativo, porque a cor é dura e gritante e porque você tem de exigir o dobro de si, emocionalmente, uma vez que não há referências no ambiente – e, no meu caso, muitas vezes nem havia outros atores com que contracenar. Já essa palavra, “pantomima”, me assusta: a última coisa que eu desejo é que alguém veja uma cena finalizada e fique com essa sensação, a de que estou fazendo uma pantomima. Todo o esforço, nesse tipo cena, é dirigido para calibrar a atuação de forma a torná-la natural. Nem você pode interiorizar demais suas emoções, ou vai ser impossível casar o seu trabalho ao que é adicionado depois, nem pode projetá-las demais, ou a impressão vai ser essa, a de um teatro. Então discordo da ideia de que se retorna à essência da dramatização. É um trabalho de cálculo e precisão.

Sua família continua morando na Ilha de Jersey, no Canal da Mancha, que é um lugar bem pequeno. Você virou sensação por lá? Jersey é tão pequena que praticamente todo mundo se conhece, então isso de virar sensação está fora de cogitação. Em lugares assim tão fechados, a primeira reação é a de proteger os alvos – minha família, no caso – de ocasionais enxeridos. E a segunda reação, por enquanto, é aquele orgulho típico das comunidades pequenas, de que “um de nós se saiu bem”. Mas é fato que ninguém por lá está habituado a esse tipo de atenção. Minha família está aprendendo a lidar com ela, dia a dia. E eu também. Hoje em dia, há uma ou outra pessoa por aí que me reconhece de Os Tudors, ou de Os Imortais, ou das notícias sobre Homem de Aço, mas basicamente sou um sujeito qualquer entre muitos. Quando o filme for lançado, estarei entrando num território completamente desconhecido para mim. Mas isso é algo que aceitei desde o início como fato inadiável.

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