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Hector Babenco reimagina sua vida em ‘Meu Amigo Hindu’

No filme, Willem Dafoe interpreta um alter-ego do diretor argentino-brasileiro em sua luta contra o câncer

Por Rafael Aloi 4 mar 2016, 09h50

Há mais ou menos cinco anos, Bárbara Paz dançou nua na praia, sob uma forte chuva, para Hector Babenco (com quem foi casada entre 2010 e 2014). O diretor assistiu à apresentação e disse: “este será o final do meu próximo filme”. Assim nasceu a cena que pode ser vista no quase autobiográfico Meu Amigo Hindu, que chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, e retrata, de forma reimaginada, trechos da vida do cineasta.

Na trama, o protagonista é Diego Fairman, um cineasta, interpretado pelo americano Willem Dafoe, que descobre ter câncer. Ele se casa e enfrenta um longo e doloroso tratamento – no qual conversa com a Morte (interpretada pro Selton Mello). Durante sua estadia no hospital, ele conhece um menino hindu, interpretado por Rio Adlakha, que recebe o mesmo tratamento do cineasta. Apesar de a criança dar nome ao filme, ela aparece pouco, mas se torna importante por servir de inspiração para o diretor voltar a escrever.

A produção é um retrato da luta de Babenco contra a doença na década de 1990. O longa não chega a ser exatamente uma autobiografia, mas sim uma espécie de auto ficção. “O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e a conto da melhor forma que eu sei”, avisa o diretor logo na abertura.

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Apesar de ser uma produção brasileira, o filme foi inteiro gravado em inglês, por causa da escolha do protagonista. No início, a não fluência do elenco na língua causa um estranhamento. A interpretação de Dafoe se sobrepõe aos atores brasileiros, aparentemente desconfortáveis com o idioma.

Contra a maré da atual leva de filmes nacionais, focados em comédias bobas, mas milionários, Meu Amigo Hindu é um filme de arte, claramente autoral. “É um longa sobre a vida, mas não escrevi com a ideia de mostrar o que se passou comigo. Tentei escrever uma ficção, com o cinema no centro, pois o cinema é meu subconsciente”, contou o diretor em entrevista coletiva sobre o lançamento da produção.

No roteiro, ele mergulha em suas fantasias e sonhos. Babenco também traz referências aos trabalhos anteriores, como Carandiru, ou a clássicos do cinema. Um grande exemplo é o personagem de Selton Mello, um enviado da Morte que visita o protagonista no hospital. Os dois conversam sobre a vida e outros assuntos, e chegam a jogar xadrez, uma referência direta ao clássico O Sétimo Selo, de 1957, do diretor sueco Ingmar Bergman

Bárbara Paz merece destaque pela sua coragem em interpretar praticamente a si mesma na parte final da trama, trazendo um realismo – e certa intimidade – à história. A atriz ainda mostra que é uma boa dançarina ao sapatear ao som de Singing In the Rain, na cena que relembra aquela dança da vida real que deu origem a todo o filme.

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