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Gui Ventura fugia do quartel para ser artista e agora vive Gilberto Gil no teatro

Escolhido entre mais de 800 candidatos, ator mineiro mudou rotina para estrelar musical dirigido por Miguel Falabella

Por Giovanna Fraguito 21 ago 2026, 08h00
Gui Ventura fugia do quartel para ser artista e agora vive Gilberto Gil no teatro Priorizar nos meus resultados Google

Antes de dar voz e corpo a Gilberto Gil, 84, Gui Ventura, 38, transformou a própria vida em uma extensa sala de ensaio. Mineiro de Santa Luzia, cantor e ator desde a infância, ele fechou a agenda profissional em abril, mergulhou em entrevistas e documentários e passou a estudar cada gesto, pausa e ressonância vocal do músico baiano. Quase ficou de fora: adiou a inscrição até os últimos momentos por medo de ser escolhido e não dar conta do papel. “Fiquei me autossabotando. Meu medo era me inscrever, ser chamado para fazer e não dar conta do recado. Sou muito fã do Gilberto Gil e tinha essa responsabilidade toda”, contou à coluna GENTE.

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A aprovação veio quando Gui estava de mochila nas costas, prestes a embarcar para São Paulo, onde gravaria outro trabalho. Entre a preocupação de não perder o avião e o impacto da notícia, ficou “meio estático”. Depois, não aceitou mais nenhum convite e iniciou uma rotina que começava oficialmente às 9 horas e terminava às 17 horas, mas continuava em casa, entre músicas, vídeos, textos e mapas desenhados para organizar tudo o que descobria. “Colocava o limite de trabalhar em casa até as 10 da noite para conseguir dormir. Se fosse até meia-noite, a cabeça não desligava. Chega uma hora em que mais trabalho não é eficiente. O descanso é mais importante”, afirmou.

O cuidado se estendeu ao prato e à academia. Para enfrentar as mais de duas horas do espetáculo, Ventura passou a controlar alimentos que poderiam prejudicar a voz e reforçou os exercícios físicos. “O musical é uma maratona maluca. Você precisa estar com o sono regular e cuidar da alimentação. Não pode comer alimentos inflamatórios, porque pode dar muito muco, nem muita gordura, porque pode dar refluxo. O corpo precisa estar forte para dar conta”, explicou. Os próprios ensaios, segundo ele, já funcionam como outra academia, com trabalho diário de voz, corpo, texto, coreografia e música.

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A disciplina necessária para o papel não é exatamente uma novidade. Antes de viver exclusivamente da arte, Ventura passou seis anos no militarismo, embora já mantivesse uma carreira paralela e encontrasse maneiras criativas de escapar da farda. “Já era artista. Fugia do quartel para fazer show, dava atestado para fazer turnê”, revelou. Por ser um artista periférico, enxergava o emprego como uma ponte financeira, mas acabou percebendo que estava em um ambiente oposto à própria essência. Durante o período, procurou funções administrativas, deu aulas no Proerd e evitou ao máximo trabalhar nas ruas. “Em seis anos, devo ter trabalhado um ano na rua. E foi meio que uma punição, porque já não estava sendo um bom militar.”

O encontro com Gil ajudou a aliviar o peso que o ator carregava. Ao tocar com o ídolo, errou um trecho da letra e pediu desculpas. Ouviu como resposta: “Só não tropeça quem não anda”. Gil ainda o aconselhou a ser ele mesmo no palco. Quando Gui prometeu que faria o melhor que pudesse, o cantor corrigiu: “Tira o melhor. Faça o que você puder”. “Isso tirou de mim uma carga muito grande. Pensei: ‘Calma, vamos lá. É um trabalho, e a gente vai mergulhar e fazer o que pode’”, disse.

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Com texto de Newton Moreno e direção de Falabella, Gil – Andar com Fé – O Musical estreia em 20 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo. O espetáculo, apresentado como a primeira biografia musical de Gil, percorre desde a infância na Bahia até a Tropicália, a prisão e o exílio em Londres.

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