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“Grata surpresa”, diz diretor de ‘Marte Um’, escolha do Brasil para Oscar

Aos 34 anos, Gabriel Martins diz que o fato de um filme independente voar alto é um marco para a produção nacional

Por Camille Mello
15 out 2022, 08h00

Tomou um susto ao saber que seu primeiro longa-metragem-solo foi escolhido para representar o Brasil no Oscar? Foi uma grata surpresa. Acho que essa indicação embute um avanço para o cinema brasileiro: é um sinal de que filmes independentes, produzidos com pouco dinheiro, mas embalados por uma história tocante, estão ganhando espaço e podem chegar longe.

Foi duro rodar o filme com orçamento baixo? Como os recursos vieram de um edital público, o tempo de filmagens foi apertado — apenas seis semanas — e não havia margem para contratempos. Sorte que não choveu em dias de gravação. A distribuição de uma película independente é outro desafio. Para conquistar salas de cinema e permanecer em exibição é preciso atrair muito público nas primeiras semanas. Felizmente, estamos com números de bilheteria excelentes.

Conquistar a tão concorrida estatueta dourada é uma ambição? Para ser honesto, nunca me imaginei com ela nas mãos. Mas só a perspectiva de estar na corrida do Oscar fez crescer o interesse pelo filme, lotando as salas — este um sonho já realizado.

Há traços autobiográficos no enredo, que conta a história de um menino que sonha viajar a Marte, egresso de uma família na batalha pela sobrevivência? Como Deivinho, que quer ser astrofísico, desde os 8 anos eu era fascinado pelos bastidores do cinema, vindo da mesma periferia de Belo Horizonte retratada na tela. Incentivado por meus pais, também fui atrás de uma trilha de mais oportunidades, além das que se apresentavam ao meu redor. Tinha o desejo de mostrar esse mundo onde cresci e que não paro de observar.

Como encontrou o talentoso Cícero Lucas, que vive o sonhador protagonista? Cícero é um percussionista genial, e o conheci em uma roda de samba. Minha esposa olhou para ele, então com 11 anos, e disse: ‘Parece o Deivinho do seu roteiro’. Dois anos depois, o convidei para o papel.

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Quais ingredientes, em sua opinião, fizeram do filme um fenômeno? O espectador se identifica com o afeto que envolve aquela família e se interessa em ver pessoas negras representadas de forma diferente, menos estereotipada. Elas não são identificadas com a violência, mas com sonhos grandes, como um dia — por que não? — viajar a Marte.

Como é fazer cinema no Brasil de hoje? Cinema brasileiro depende de dinheiro público, e o setor audiovisual passa por uma fase complicada, de falta de investimentos. Apesar dos obstáculos, porém, meu filme só foi possível porque obtive financiamento do primeiro edital destinado a cineastas negros, o que considero uma vitória histórica. Apesar dos entraves, tenho fé no movimento de reconstrução das políticas do cinema brasileiro.

Publicado em VEJA de 19 de outubro de 2022, edição nº 2811

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