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Grandes livrarias tomam espaço das médias, mas pequenas ainda dominam mercado

Lojas independentes ou de pequeno porte representam 60% do todo, segundo pesquisa da ANL, que aponta também o avanço na oferta de títulos religiosos

Por Meire Kusumoto 4 dez 2012, 14h18

As grandes livrarias estão tomando o lugar das médias no Brasil. Em 2009, as redes com mais de 100 lojas eram 6% do mercado, e agora são 15%. Já as médias passaram de 31% para 22%, segundo dados de pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Associação Nacional de Livrarias (ANL). Já o grupo das pequenas e independentes segue firme e forte: a categoria de livrarias com uma loja se manteve estável e ainda predomina, com 62% do universo pesquisado. O levantamento, feito pela empresa de pesquisa de mercado GFK, foi respondido por 739 livrarias em 2009, e por 697 este ano. A pesquisa pretende espelhar o mercado brasileiro, composto por 3.480 livrarias, segundo dados de 2011.

Para o vice-presidente da ANL, Augusto Mariotto Kater, as médias livrarias tiveram dois caminhos possíveis nesses três anos, de 2009 a 2012. Mesmo com seu encolhimento em relação as livrarias com mais de 100 lojas, algumas cresceram ainda dentro da categoria intermediária, abrindo mais estabelecimentos de venda de livros. Outras se tornaram independentes, com apenas uma loja. “Algumas médias estão aproveitando o momento e amadurecendo para se tornar pequenas redes, com cinco ou mais livrarias. As que não conseguiram foram prejudicadas pela falta de regulamentação do mercado, que não conta com uma política de preço único, por exemplo”.

Avanço religioso – A evolução na oferta de livros de temática religiosa foi outro fator apontado pelo estudo. Em 2009, 46% dos livreiros disseram possuir em seu estoque exemplares ligados a religião. Em 2012, o número foi bem maior: 76%. Para Augusto Mariotto Kater, o aumento pode ser explicado pelo maior interesse de editoras seculares robustas, como Globo Livros, Leya e Agir, pela área. “Elas começaram a ver nos livros religiosos um filão promissor” diz.

Não há dados de vendas, porém, para saber se uma maior oferta vem correspondendo a uma maior saída desses livros. Hoje, o filão religioso e esotérico responde por 5% do mercado em termos de faturamento e 8% em volume de vendas, segundo a GFK, que começou a medir o setor recentemente. Ainda assim, 2013 é promissor para quem vende livro religioso, especialmente para quem trabalha com títulos católicos, já que no próximo ano o Brasil será sede da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro.

Religiosos à parte, fenômenos como o erótico Cinquenta Tons de Cinza continuarão aquecendo o mercado, na opinião do vice-presidente da ANL. No levantamento feito este ano, o filão adulto, em que 50 Tons se encaixa, passou a figurar em 69% das livrarias, ante a 48% em 2009. O livro pode ter influenciado também o setor de literatura estrangeira, que foi responsável por 19% das vendas de janeiro a outubro deste ano, em número de exemplares, segundo dados da GFK.

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