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Grammy: na festa da música, o que vale são os negócios

Executivos da indústria fonográfica que compõem comitê de votação não coroaram talento de Adele - mas as 15 mi de cópias que gostariam ter vendido

Por Carol Nogueira 13 fev 2012, 10h31

Não deu outra. Após dominar as rádios mundiais e vender mais discos do que qualquer outro artista em 2011, a cantora britânica Adele só podia ser a grande estrela do Grammy – ela recebeu seis indicações e venceu em todas elas na noite deste domingo. Mas o ensinamento que a premiação deste ano deixa é outra. Alguém reparou que Lady Gaga, onipresente nas últimas três edições do Grammy, não levou nenhum prêmio? Talvez não, porque Adele, ostentando sua pose de cantora e mulher “de verdade” — o oposto da fabricação completa de Gaga –, roubou para si todos os holofotes.

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Moderno – Uma novidade no Grammy deste ano foi o grande destaque dado para a música eletrônica, algo inédito na premiação. No show mais longo da noite, o DJ superstar David Guetta tocou ao lado dos rappers Chris Brown e Lil Wayne, que depois deram sua vez para o DJ Deadmau5 e a banda de rock Foo Fighters. Mas quando se trata dos prêmios, a música eletrônica fica (bem) longe dos outros estilos. O DJ Skrillex (revelação do ano passado nos Estados Unidos) levou os três prêmios mais importantes da categoria para casa (melhor gravação dance, melhor álbum eletrônico e melhor remix), mas nem chegou perto do palco nas categorias em que concorria com artistas de música pop ou rock — clipe e revelação. Na última, foi vencido por Justin Vernon, do grupo indie Bon Iver, que se recusou a fazer show no Grammy e lançou ironia sobre a premiação. “Obrigada a todos os indicados, e a todos os que não foram, nem nunca serão indicados.” A julgar pelo discurso, ele também não deve pisar mais na premiação.

Ao contrário de Adele, Vernon falha em algo que é essencial para o sucesso: o marketing. O Foo Fighters é um bom exemplo de banda que sabe ser marqueteira. Na estrada há 20 anos, o grupo alardeou pelos quatro cantos o disco Wasting Light, gravado na garagem do vocalista Dave Grohl com equipamentos de fita e sem computadores. O processo de gravação ainda virou um documentário com um show 3D no fim, exibido nos cinemas em 2011. Grohl, não por acaso conhecido como “o cara mais legal do rock”, topa de tudo, e o resultado veio no último domingo, quando a banda levou cinco Grammy para casa.

Valeu a pena – Depois de uma longa premiação, que durou cerca de 4 horas e meia, uma a mais do que o previsto, foi bom curtir uma surpresa preparada pela organização: um encontro histórico de guitarras entre Paul McCartney, Bruce Springsteen e Dave Grohl (do Foo Fighters) no clássico medley do disco Abbey Road, dos Beatles, com Golden Slumbers, Carry That Weight e The End – é curioso notar que a gravação original consistia em um trio de guitarras formado por Paul, George Harrison e John Lennon.

Fica a esperança de que algo, ali, ainda pode ser sobre música.

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