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Globo pagou cifra milionária a Benedito Ruy Barbosa por Pantanal; saiba o valor

Autor de novelas teve negociação dura com a emissora devido a mágoas do passado

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 10h05 | Atualizado em 7 jul 2026, 11h57
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No final dos anos 1980, a Globo rejeitou a ideia de Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) de fazer a novela Pantanal. Ressentido com a emissora, o dramaturgo levou o projeto para a TV Manchete e pôde saborear uma doce vingança contra a antiga casa: a produção, lançada em 1990, foi um sucesso tremendo, desbancando a líder de audiência com sua história original sobre os conflitos de um pai e filho, de ideologias diferentes, e de Juma Marruá, a menina-onça. Passadas três décadas, com a Manchete já extinta e a Globo buscando formas de fomentar o interesse do público pelas novelas, o departamento de dramaturgia iniciou a empreitada de fazer um remake de Pantanal e precisou desembolsar 5 milhões de reais para Barbosa autorizar o remake, conforme revelado por reportagem de VEJA em 2022.

Pouco antes da pandemia, lá pelo fim de 2019, a Globo fez uma constatação amparada em pesquisas: os espectadores brasileiros estavam cansados das dificuldades da vida, da crise econômica à criminalidade, passando pela intolerância na política. Diante disso, era natural que novelas das 9 como Amor de Mãe, então em exibição, não provocassem identificação, mas melancolia e enfado ao estampar essa realidade dura. Assim, quando surgiu o desejo de uma homenagem ao noveleiro Benedito Ruy Barbosa, que anunciava sua aposentadoria às portas dos 90 anos, veio a ideia que unia o útil ao agradável.

O autor já tinha desatado o principal nó que impedia o projeto, ao recuperar nos tribunais, em 2016, os direitos sobre sua criação. Embora sempre sonhasse em ver Pantanal na Globo, Barbosa revelou-se duro na queda, e ciumento (com razão) de seu filhote. Foram meses de muita conversa até ele topar. Pesou aí a escolha de seu neto, Bruno Luperi, para cuidar do roteiro da adaptação (leia a entrevista). “Foi uma negociação longa”, disse um diretor da emissora a VEJA. “O Bruno é muito jovem, mas tem as novelas na veia e uma indiscutível interlocução com o avô.” O fator financeiro deu o empurrão final: Barbosa recebeu da Globo uma bolada na casa dos 5 milhões de reais pela licença para fazer a nova Pantanal. Negócio fechado, ele passou a atuar como um consultor informal do neto no remake.

A nova Pantanal, agora um produto da Globo, chegou em um momento pós-­pandêmico que apresentava um desafio mais complicado. Para sobreviver na selva do entretenimento digital, o remake teve de tomar um banho de loja que diz muito sobre os rumos das novelas no futuro. A ascensão das séries e o reinado do streaming criaram uma necessidade de adaptação dos melodramas. Acompanhando o ritmo corrido da vida das pessoas, as novelas ganharam mais velocidade — as intermináveis cenas de paisagens com jacarés e tuiuiús do folhetim de 1990 deram lugar a tomadas não menos cinematográficas, mas bem mais econômicas. Com alterações modestas de Luperi, i projeto terminou como um grande sucesso, provando a força da história criada por Barbosa, e também abriu a porta de outro remake de uma obra do autor, Renascer, exibido em 1993 e 2024.

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