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Giovanna Antonelli sobre carreira fora da televisão: ‘Busco consistência artística’

Em cartaz no cinema com 'Rio de Sangue' e em alta no streaming, atriz revela o que leva em conta ao escolher novos trabalhos

Por Amanda Capuano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 08h02
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Recém lançado nos cinemas brasileiros, o longa Rio de Sangue, de Gustavo Bonafé, acompanha a saga da policial Patrícia em busca da filha Luiza (Alice Wegmann), que foi sequestrada por garimpeiros ilegais na Amazônia. Protagonizada por Giovanna Antonelli, a trama de ação é o mais novo exemplo da ânsia da atriz por novos desafios fora da televisão. Depois de anos eternizada por personagens como a Jade, de O Clone, e a delegada Helô, de Salve Jorge, Antonelli não renovou seu contrato com a Globo em 2023, e partiu em busca de novos horizontes na carreira. Fora das novelas desde então, mergulhou de caçeça no streaming: fez sucesso com a carismática Elvirinha de Beleza Fatal, da HBO Max, e acaba de ser confirmada como a estelionatária Dominique Scharf na segunda temporada do true crime Tremembé, no Prime Video.

Agora, mostra a nova faceta também no cinema. “O Gustavo me deu o roteiro e disse que queria que me vissem no filme de um jeito que nunca me viram antes. Isso era tudo o que eu mais queria”, conta ela. Em entrevista a VEJA, a atriz de 50 anos analisa a nova fase da carreira, conta detalhes da aventura no universo da ação e revela qual é a sua principal motivação na escolha de novos trabalhos. Confira a conversa a seguir:

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Em Rio de Sangue, você interpreta uma policial, assim como a delegada Helô, que marcou sua carreira na televisão. O que te atrai em personagens como elas? Eu brinco que toda hora sou chamada para fazer alguém da justiça. O meu gênero preferido sempre foi a ação, e eu gosto das dimensões que esse tipo de personagem traz. Não é sobre interpretar uma policial novamente, mas uma mulher em circunstâncias extremas e as camadas emocionais que ela carrega. Adoro interpretar mulheres com conflitos humanos. A Helô era uma delegada quase solar, estratégica e segura de si. A Patrícia, de Rio de Sangue, é o oposto.

Como foi entrar no universo do garimpo ilegal no Brasil? É um tema complexo e muito atual. Justamente por isso, o processo teve muita responsabilidade. Antes de qualquer cena, houve um trabalho de pesquisa para entender como tudo funciona não só do ponto de vista operacional, mas também humano. O filme não parte de um julgamento, mas de uma história. O contexto do garimpo ilegal é o ambiente onde a narrativa acontece, mas o centro da história é o conflito dos personagens. Fisicamente, foi bem desafiador. A minha caracterização era sangue, suor e lama. A gente gravou no rio, com calor extremo e muitos deslocamentos. Foi um processo difícil, mas equilibrar esse realismo com a humanidade foi muito bacana.

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Desde que encerrou o seu contrato com a Globo, você tem explorado o streaming e o cinema. Como vê essa nova fase da carreira? Tem sido ótimo. Geralmente as pessoas colocam a gente em uma caixinha, com um tipo de personagem específico. Por mais que você se reinvente sempre, e eu gosto muito de fazer isso, você acaba ali. O Gustavo [diretor] disse que queria que me vissem de um jeito que nunca viram antes, e isso era tudo o que eu mais queria. Desde que optei por tomar conta desse processo de escolha de personagens, há uns 4 anos, tive oportunidades artísticas que alimentam essa chama dentro de mim.

Falando em caixinha, você sempre fez personagens amados nas novelas, como a Jade, de O Clone. Como tem sido a recepção aos novos trabalhos? Sair dessa zona de reconhecimento é atravessar um período de ajuste de expectativas. O público cria vínculos fortes com personagens marcantes, e eu tive vários ao longo da carreira. Existe uma surpresa quando você muda o registro, e a recepção a isso é curiosa e muito aberta. A Elvirinha, de Beleza Fatal, por exemplo, foi um fenômeno. Apesar de ser uma personagem que eu eu nunca tinha feito na vida, ela ficou super popular. Eu gosto disso porque mostra que houve um deslocamento, e o artista que não se desloca acaba se repetindo. Tenho um bichinho dentro de mim que adora criar coisas novas e encarar desafios.

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Cena de Beleza Fatal: HBO teve de aprender como se faz novela (Fabio Braga/Pivô Audiovisual/HBO Max)
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E o que te guia na escolha dos personagens nessa nova fase? Depois de tantos anos de carreira, a minha escolha não é mais sobre a exposição que vou ter, busco consistência artística. Se não for assim, não vale a pena. Sou movida pela profundidade do papel e pelo o que eu vou conseguir levar de novo para um público que me conhece há mais de 40 anos. Agora, escolho a partir do conflito, da complexidade e do risco. Quero papeis que saiam da minha zona de conforto e me desafiem internamente. Mulheres que tenham contradições, dilemas morais e sombras. Nós somos assim. Essa é a realidade. Isso é humano.

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