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Geração ‘beat’ de Kerouac influenciou movimento hippie

Por Justin Sullivan
23 Maio 2012, 14h29

“Pé na estrada”, de Jack Kerouac, “Uivo”, de Allen Ginsberg e “Almoço Nu”, de William S. Burroughs, são as principais obras literárias da “geração beat”, um grupo de escritores iconoclastas americanos da década de 1950 que influenciou a contracultura e o movimento hippie mundial.

“Pé na estrada”, adaptado ao cinema pelo brasileiro Walter Salles e apresentado nesta quarta-feira em Cannes, é o romance desta geração que rejeitava os valores clássicos dos Estados Unidos, consumia drogas, amava o jazz, tinha grande liberdade sexual e estudava filosofia oriental.

O termo “beat” começou a ressoar de tal forma que em 1959 Kerouac tentou definir a palavra, relacionando-a com “beatitude” e “beatífico”. Todos os membros do grupo eram contemplativos, amavam a natureza, meditavam.

Apelidado de “King of the Beats”, Kerouac aparece em seu próprio romance sob o nome de Sal Paradise, um personagem um tanto de segundo plano, fascinado por Dean Moriarty, que na vida real era o ícone dos poetas da época, Neal Cassady.

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Cassady era alguém com grande carisma, ávido por liberdade e apaixonado por mil mulheres. Kerouac percorre com ele os cantos mais longínquos dos Estados Unidos.

O escritor William S. Burroughs, chamado no livro de Kerouac de Old Bull Lee, era um guru que se dograva com heroína, anfetaminas, maconha e outras drogas. Era o maior de todos e o mais sombrio dos “beats”.

Sua obra, “Almoço Nu”, propõe uma metáfora da condição humana através da dependência em drogas.

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Joan Vollmer, chamada de Jane no célebre romance de Kerouac, antes de se tornar a companheira de Burroughs, era um dos membros fundadores do círculo beat em sua fase nova-iorquina.

Joan Vollmer teve um fim trágico no México, onde Burroughs a matou por acidente ao praticar tiro ao alvo em uma maçã que ela tinha colocada sobre sua cabeça.

Outro membro célebre desse grupo de amigos escritores é o poeta Allen Ginsberg, que em “Pé na estrada” aparece sob o nome de Carlo Marx. Sua obra mais conhecida é “Uivo”.

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“Um jovem de 21 anos me perguntou outro dia o que tinha acontecido com a geração ‘Beat’. Ele se vestia e penteava como queria, era contra a guerra no Iraque, se interessava pela ecologia e pelo budismo… Fiz a ele a mesma pergunta: onde está a geração ‘beat’? Está dentro dele… Não é fácil explicar isso às pessoas. Além disso, não é necessário”, afirma Salles no texto de apresentação de seu filme.

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