Gaby Amarantos celebra protagonismo amazônico: ‘recebi muitos nãos’
Cantora fala sobre espaço para músicos do Norte, uso da inteligência artificial e os preparativos do Círio de Nazaré, a ser realizado em outubro
Por Giovanna Fraguito 13 ago 2026, 07h00 | Atualizado em 13 ago 2026, 07h05
-
Gaby Amarantos celebra o sucesso de “Rock Doido”, expandindo o projeto com “Rock Junino” e “Rock Light”. A cantora detalha a construção de sua carreira independente, superando rejeições da indústria, a luta por maior presença de artistas amazônicos em festivais e sua visão sobre a inteligência artificial na música. Uma conversa inspiradora.
-
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Após um ano recém-completado do lançamento de Rock Doido, Gaby Amarantos, 48, comemora a repercussão do projeto e a expansão do universo do álbum com Rock Junino e Rock Light. Em conversa com a coluna GENTE, a cantora também fala sobre a estrutura independente que construiu após receber sucessivos “nãos” da indústria, a cobrança por maior presença de artistas amazônicos nos grandes festivais e sua relação com a inteligência artificial.
Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente
IGUAL A TROPICÁLIA. “Está sendo incrível. A gente está muito feliz com toda a repercussão positiva e com a forma como o Brasil abraçou o Rock Doido. Está sendo mais bonito ainda poder comemorar isso no palco, com uma turnê tão representativa. As pessoas estão entendendo que a gente faz pop na Amazônia, que a nossa música não é só do Norte, é brasileira. A gente vive uma época em que precisa rebolar para conseguir manter um álbum como assunto por muito tempo. As coisas são mais efêmeras. O Rock Doido é música brasileira. Para mim, é um movimento tão forte quanto foram a Tropicália, a Bossa Nova ou o manguebeat. É revolucionário, porque foi feito com pouco dinheiro, poder de união e criatividade. Talvez daqui a vinte ou trinta anos as pessoas entendam o que estávamos fazendo”.
OUSADIA CONTRA A SATURAÇÃO. “Nunca fiz tantos shows e festivais no Brasil rodando com a turnê de um álbum. ORock Doido é um estilo novo em uma indústria totalmente saturada, com muita gente fazendo a mesma coisa. Poucos artistas têm coragem de ir por caminhos diferentes e conseguem ter sucesso, porque às vezes existe a coragem, mas o público não abraça”.
APÓS VÁRIOS ‘NÃOS’. “Para convencer investidores, empresários, rádios e programas de televisão a me darem espaço, levou um tempo. Era muito diferente e muita gente duvidou. Como recebi muitos ‘nãos’, tive que criar minha própria estrutura. Hoje, tenho meu escritório, minha distribuidora, minha editora, a empresa Amarantos Eleva e meu time de compositores. Isso possibilita que a Gaby de agora realize os projetos que a de antes queria fazer e não conseguia”.
CRÍTICAS DE FAFÁ DE BELÉM. “Não gosto muito da palavra crítica. Gosto mais de dizer: ‘Vamos dialogar’. Não estou falando apenas do meu trabalho ou da Fafá, que é uma pioneira importantíssima e tem uma voz muito relevante para a gente. Existem muitos artistas incríveis aqui que o Brasil ainda não conhece. Não fazia sentido premiações, rádios e festivais se dizerem brasileiros sem terem artistas do Norte. Muita coisa melhorou. A gente ainda tem espaço para conquistar, mas também tem muito a celebrar. É a primeira vez, em trinta anos de carreira, que estou nos principais line-ups dos grandes festivais do Brasil. São vitórias importantes”.
.RECONHECIMENTO ALÉM DO PARÁ. “Quando críticos de fora começaram a falar que meu trabalho era interessante e diferente, as pessoas passaram a valorizá-lo aqui. O Grammy foi um momento especial de reposicionamento. Foi a partir desse lugar de autoestima que veio a coragem para fazer o Rock Doido. Era um projeto ousado, podia ter dado errado e as pessoas poderiam ter odiado”.
JOÃO BOSCO E O REVISIONISMO MUSICAL. “Cabe ao compositor, não cabe a mim (censurar). Não tenho o direito de chegar à música de alguém e dizer que ele precisa mudá-la. Pessoalmente, não escuto qualquer coisa que me agrida. Busco ouvir o que me faz bem e escrever mensagens boas nas minhas músicas. Busco ter muito cuidado. Sou uma mulher negra, mãe, vinda da periferia, que sofreu e viu muitas violências, mas encontrou na música seu lugar de poder. É difícil eu escrever algo para ofender alguém. Isso não quer dizer que não possa acontecer, porque os tempos e as narrativas mudam. Procuro manter uma cabeça jovem, acolher mudanças e entender que estou sempre aprendendo”.
IA NA MÚSICA. “Nunca usei (inteligência artificial) para compor e, até agora, também não usei no processo de mixagem. É uma tecnologia sobre a qual ainda temos muito a descobrir. Busco enxergar novidades como ferramentas que também posso usar. Quando sentir que alguma delas é legal, vou usar. Gosto de sentar e escrever minhas próprias músicas. Acho as músicas de inteligência artificial muito artificiais e todas iguais. Talvez a tecnologia evolua. Por enquanto, a única IA com que trabalho é a inteligência amazônica”.
PREPARATIVOS DO CÍRIO DE NAZARÉ. “O Círio é uma festa religiosa, cristã e católica, mas luto para que todo tipo de pessoa possa ocupar esses espaços. Chamo minhas amigas trans, meus amigos LGBT, meus amigos de religiões de matriz africana e pessoas que muitos acham que não deveriam estar nessa festa. Nossa Senhora de Nazaré ama todos nós”.






