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Frank Miller: ‘ouvi dizer que gibis foram censurados por aqui’

Na CCXP, pai do Batman moderno comentou tentativa do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de impedir quadrinhos dos Vingadores em bienal

Por Maria Clara Vieira 8 dez 2019, 08h22

Figurinha carimbada da CCXP, o quadrinista americano Frank Miller, em sua terceira participação no evento, mostrou que, além de trabalhar com brasileiros (como é o caso do ilustrador Rafael Grampá), está por dentro do que acontece nestas terras. “Ouvi dizer que alguns gibis foram censurados aqui”, comentou o escritor, pai do Batman moderno, em referência ao episódio no qual o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, tentou impedir que uma revista dos Vingadores circulasse na Bienal do Livro por causa de um beijo entre personagens homossexuais.

Questionado sobre a relação entre a política e as histórias em quadrinho, o famoso desenhista afirmou que o Cavaleiro das Trevas se relaciona com o assunto desde a época de Ronald Reagan e que quem se afeta com este tipo de paródia é, justamente, quem deveria ser afetado. “A gente se diverte com isso”, alfinetou Miller. O quadrinista Neal Adams, que também participava do painel sobre os 80 anos do Batman, explicitou um desejo para as novas aventuras do personagem. “Quero que ele jogue o Trump na cadeia. Ninguém vai produzir esse quadrinho, mas não custa sonhar”, disse.

A conversa contou ainda com a participação dos ilustradores Joelle Jones, Mikel Janin, Frank Quitely e Neal Adams, todos responsáveis por diferentes versões do aniversariante. Quando as adaptações cinematográficas do Homem Morcego entraram em pauta, Adams não poupou críticas ao filme Batman vs Superman, no qual o herói é vivido por Bem Affleck. “Fizeram o Batman do cinema usar o traje criado por Frank Miller sem que ele tivesse 80 anos. Parece que essas pessoas não leem os quadrinhos”, afirmou o desenhista, que rendeu elogios à concorrência. “O público assiste e pensa que, se filme não for bom, semana que vem haverá um filme da Marvel. A menos que surjam coisas boas como a Mulher Maravilha”, comentou.

A plateia, que lotou um auditório com espaço para 700 pessoas, abordou também a concorrência entre o mundo dos quadrinhos e do cinema. “As pessoas sempre perguntam se algum dia a gente vai ficar na frente dos filmes. Olha, todos os quadrinistas que eu conheço são capazes de escrever um roteiro que vale 250 milhões de dólares e ter outro pronto na semana seguinte. Estamos muito à frente do cinema”, ressaltou Adams, exalando otimismo. “Os Estados Unidos têm milhares de pequenas convenções e somos convidados para todas. Nestes eventos, sempre que uma criança pequena chega na minha mesa com os olhos brilhando, eu sei que este é o futuro”, completou.

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