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‘Foxcatcher’: a luta perdida dos irmãos Schultz

Filme em exibição na Mostra de Cinema de SP é uma história real contada por Bennett Miller, vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes

Por Simone Costa 17 out 2014, 18h32

Em 1987, aos 27 anos, Mark Schultz era campeão mundial e medalhista de ouro na Olimpíada de 1984, mas vivia uma rotina que se resumia a ir aos treinos, voltar para casa e dar algumas palestras motivacionais para crianças quando foi convidado para conhecer o excêntrico John du Pont, milionário da indústria de armamentos. Ao aceitar o convite para participar do time de luta de Du Pont, o Foxcatcher, na Pensilvânia, Mark não poderia imaginar que isso o separaria de seu irmão de maneira tão literal. Dave, um ano mais novo e o verdadeiro mentor e incentivador de Mark, também tinha sido ouro em 1984. Ele resistiu ao máximo ao convite de Du Pont. Mas, tempos depois, aceitou se juntar ao Foxcatcher. E em 1996, acabou baleado pelo milionário.

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A história real orienta o roteiro de Foxcatcher, Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, EUA, 2014), filme de Bennett Miller, vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2014. Não é a primeira vez que Miller reconstrói uma história real. Ele já fez isso em Capote (2005) e O Homem que Mudou o Jogo (2011), mas Foxcatcher é mais tocante. Nos papéis de Mark, Dave e Du Pont, Channing Tatum e dois impressionantes Mark Ruffalo e Steve Carell, respectivamente.

É preciso olhar mais uma vez para ter certeza de que aquele personagem com os ombros encolhidos, nariz adunco e uma voz esganiçada liberada em intervalos irritantes é Carell, muito mais conhecido por suas comédias, como O Virgem de 40 anos (2005) e a ótima série The Office (2005-2013). O personagem é tão bem caracterizado que quase chega a incomodar. Mas Carell consegue mostrar o quanto Du Pont era incapaz de se relacionar com as pessoas, até mesmo com sua mãe (vivida pela premiada Vanessa Redgrave) – uma relação para Freud explicar. Sobre o papel, Carell disse esta semana, durante o Festival de Cinema de Londres, que ainda permanece com ele. “Eu continuo pensando sobre isso”, disse, segundo o site da revista The Hollywood Reporter.

Mark Ruffalo também não fica atrás. Sem tantos recursos extras para entrar no personagem, mas com um cabelo bem curto e barbudo, ele parece outra pessoa e mostra que, quando não está preocupado com política de países que não conhece bem, é um excelente ator. Ele é talvez o mais convincente dos três. Mesmo aparecendo menos do que Tatum, ele brilha mais. Não que Tatum esteja mal. Pelo contrário. Ele apresenta um convincente Mark de pouquíssimas palavras e sem perspectiva, apesar de ser um campeão. Um homem jovem que mais parece um adolescente que deixa se levar por Du Pont e chega quase a arruinar a própria vida.

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O filme é centrado na relação entre os três. Os outros personagens apenas circulam ao redor deles. Mark não tem amigo, nem vive nenhum romance. Apenas faz o que Du Pont quer, seja acordar de madrugada para ajudá-lo nos treinos (ele luta na categoria sênior) ou ler discursos (escritos pelo próprio Du Pont) que falam de uma relação de quase paternidade entre os dois durante festas e eventos sociais). Dave tem família, mas a mulher (interpretada por Sienna Miller) e os filhos estão ali apenas para mostrar que ele era um cara equilibrado e bacana. Construído de forma emocionante, seja mostrando Du Pont em seu esforço para chamar a atenção da mãe ou Dave tentando resgatar o irmão, nem parece que tem quase duas horas e meia de duração.

Serviço:

Na Mostra:

19/10 às 20h – Cine Sabesp

Rua Fradique Coutinho, 361 – Tel: (0/xx/11) 5096 0585

20/10 às 18h – Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 2 – Shopping Frei Caneca

Rua Frei Caneca, 569 – Bela Vista Tel: (0/xx/11) 3472-2368

Nos cinemas:

Estreia 29 Janeiro

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