Clique e assine a partir de 9,90/mês

Filme sobre filha de Karl Marx estreia no Festival de Veneza

Longa conta a história da caçula Eleanor Marx, que seguiu os passos do pai no movimento socialista

Por Lucas Almeida, de Veneza - 5 set 2020, 14h50

O filme sobre a filha caçula de Karl Marx, Eleanor, foi um dos protagonistas do Festival Internacional de Cinema de Veneza neste sábado, 5. O longa dirigido pela diretora italiana Susanna Nicchiarelli acompanha a vida da mulher britânica a partir do sepultamento do pai, em 1883, até a sua própria morte, quinze anos depois.

Enquanto acompanhamos a evolução da carreira ativista da protagonista no movimento socialista na Inglaterra, a trama se desenvolve a partir do relacionamento de Eleanor com o autor Edward Aveling. A conturbada história dos dois foi marcada por problemas financeiros e casos de infidelidade.

“Seguramente, a história de Eleanor Marx é importante para o feminismo. Ela foi a primeira a falar de igualdade em questões econômicas”, afirmou a diretora Susanna Nicchiarelli em uma coletiva de imprensa neste sábado. “Mas não considero o filme como feminista. Ela lutava para que todos desfrutassem da sociedade. Ela se preocupava muito pelo fim do trabalho infantil, por exemplo.”

A cineasta tem uma relação antiga com Veneza. A sua estreia na ficção, Cosmonauta, foi exibida no festival em 2009. Oito anos depois, ela competiu ao Leão de Ouro com Nico, 1988, filme sobre a vida de Christa Päffgen, musa de Andy Warhol e vocalista da banda The Velvet Underground.

Para o novo longa, Susanna teve acesso às cartas e até desenhos de infância de Eleanor Marx. “Muitos diálogos do filme foram retirados dos próprios documentos. Queria que a Eleanor falasse as suas palavras para o púbico”, ela explicou.
A pesquisa da cineasta possibilitou que o longa deixasse o tema político em alguns momentos, para explorar histórias da família do filósofo socialista. “Descobri até a comida preferida do Marx”, ela brincou. A história de Frederick Demuth ganha espaço para dar um fôlego ao roteiro.

Ele foi filho de Karl Marx com a militante e empregada da família Helena Demuth, em um relacionamento extraconjugal. Friedrich Engels, no entanto, foi quem assumiu a paternidade da criança, a pedido de Marx.

Apesar dos longos vestidos e das cartolas do final do século XIX, o longa tenta manter uma estética contemporânea, com cenas bem iluminadas e músicas da banda de punk rock americana Downtown Boys.”

“A música é muito transgressora e escutávamos no set, para relembrar das batalhas de Eleonor Marx”, recordou Susanna. “Não queria um filme nostálgico, mas um que nos trouxesse para os dias de hoje.”

Continua após a publicidade
Publicidade