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Filme de Katy Perry triunfa ao adicionar drama a conto de fadas

Em 'Part of Me 3D', que estreia nesta sexta-feira nos cinemas, a cantora expõe da construção de seu personagem ao fim do casamento com o ator Russell Brand

Por Carol Nogueira
3 ago 2012, 09h20

Documentários 3D de astros pop não costumam carregar grande profundidade. Vide Never Say Never, de Justin Bieber, e outros tantos lançados recentemente. O fato é que filmes sobre artistas de 20 e poucos anos (ou menos, como Bieber) têm pouco a dizer porque, afinal de contas, seus protagonistas não viveram o suficiente para ter o que contar. E o recurso 3D nada pode fazer para mudar a situação. É justamente por isso que Katy Perry: Part of Me 3D, que estreia nos cinemas nesta sexta-feira, surpreende. Não que o longa ofereça muito a quem já acompanha a cantora, mas traz uma visão de bastidor de sua carreira e de sua vida pessoal que não deixa de ser interessante, mesmo para quem é fã de longa data.

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Não sem cair no clichê, pode-se dizer que o sucesso não veio fácil para Katy Perry. Criada em um ambiente extremamente religioso – os pais eram pastores fundamentalistas -, a cantora era proibida de ouvir qualquer outro tipo de música que não a gospel e de assistir a filmes que seus pais considerassem “do diabo”, como O Mágico de Oz. Mas, imediatamente após se mudar para Los Angeles contra a vontade dos pais e entrar em contato com outros universos, ela tenta distanciar sua imagem da garota que cantava música cristã na adolescência. E passa por uma, duas, três gravadoras e vários produtores interessados em transformá-la na próxima Alanis Morissette até dar certo. E o sucesso é tão grande que nem a religiosidade dos pais resiste aos primeiros milhões a rechear a conta da cantora – em seu depoimento no filme, o pai de Katy, Keith, aparece vestido de maneira tão exótica que mais lembra um cafetão.

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Assim como centenas de outros wannabes que vão para Los Angeles em busca da fama, Katy começou a frequentar festas e a conhecer gente. Foi aí que passou a se destacar, com seus figurinos cada vez mais loucos e chamativos. “Ela acendia a festa”, atesta no filme o fotógrafo hipster Cobra Snake. Katy se viu como Alice no País das Maravilhas (aliás, outro clássico que era proibida de assistir), descobrindo novidades que antes só deviam existir nos seus sonhos e amadurecendo com elas. E a descoberta desse universo do qual ela foi mantida longe quando criança, no fim, mostra-se parte integral do personagem criado por ela na carreira. “Ser caricata nunca é demais”, diz a cantora a certa altura do filme.

Até seus fãs mais novos sabem que o comportamento de Katy não condiz com o de alguém de sua idade. “Você tem mesmo 27 anos? Parece mais 17”, diz um garotinho. Ao contrário de Madonna, Lady Gaga, Rihanna e outras cantoras pop que esbanjam sensualidade e rebeldia em suas apresentações, Katy investe em elementos lúdicos, como fantasias, cupcakes, perucas coloridas, animais de estimação, pirulitos… sua sexualidade é mais de pin-up do que de mulher fatal.

Típica história de superação, a ascensão de Katy Perry costuma atrair fãs que a veem como um modelo a ser seguido. São eles que dão o tom do documentário no começo e no fim do filme, com frases – também clichês – do tipo “Katy me ensinou que eu posso ser o que quiser”. À parte a tentativa de passar algum tipo de mensagem aos fãs e os pontos quase sensacionalistas do longa, Katy Perry: Part of Me 3D funciona como entretenimento: é divertido, dramático e interessante na medida certa.

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