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Filme com Channing Tatum é forte candidato ao Oscar

‘Foxcatcher’, dirigido por Bennett Miller, sai na frente na disputa com história real sobre milionário que matou lutador

Por Mariane Morisawa, de Cannes 19 Maio 2014, 12h21

Se vai ganhar a Palma de Ouro, ainda está muito cedo para saber, mas Foxcatcher, de Bennett Miller, é o primeiro candidato oficial do Oscar 2015. O filme foi exibido em sessão lotada de imprensa na manhã desta segunda-feira (19) e recebido com entusiasmo – com razão.

Como os outros filmes do diretor, Capote (2005) e Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo (2011), Foxcatcher é baseado numa história real. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, Mark Schultz (interpretado por Channing Tatum), medalha de ouro em luta livre em 1984, é apadrinhado pelo milionário John E. Du Pont (vivido por Steve Carell), membro de uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos, fabricante do Teflon que reveste panelas antiaderentes, por exemplo.

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Irmão do também campeão olímpico de luta livre, o seguro e simpático Dave Schultz (Mark Ruffalo), Mark resolve aceitar a proposta e mudar-se para a propriedade do seu patrono na Pensilvânia, onde estabelece uma relação estranha com Du Pont, a quem vê como um pai. Meses depois, Dave se junta à equipe. Muitos anos mais tarde, em 1997, quando Mark já treinava em outro lugar, Dave foi assassinado pelo milionário, que morreu na prisão em 2010.

Assim como Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo não era sobre beisebol, Foxcatcher (o nome da equipe de Du Pont) não fala de luta livre exatamente. O diretor investiga aquele mundo masculino de poucas palavras e sentimentos engolidos. Ao mesmo tempo, aborda os efeitos do isolamento e da alienação, que muitas vezes levam a atitudes violentas.

Du Pont é um homem encastelado, sem amigos, que busca a atenção da mãe, mais preocupada com seus cavalos premiados. “Ele estava tentando competir com a mãe com seu ‘estábulo’ de atletas”, disse Bennett Miller na coletiva de imprensa logo depois da exibição. O milionário era um homem superprotegido pelos funcionários, mimado, isolado do mundo e que se sentia pouco amado pela mãe e, como tinha muito dinheiro, achava que bastava comprar os outros para suprir essa carência. “Fiquei pensando muito nisso: o que acontece quando tudo tem uma etiqueta de preço?”, afirmou o ator Mark Ruffalo. “O que acontece com a arte, com as pessoas, quando tudo está à venda? É um tema muito interessante e atual. O bom de fazer filmes é que você pode discutir essas coisas de maneira humana.”

Os atores puderam conversar com Mark Schultz e conviver com a família de Dave. “Alternava muito, havia dias em que ele estava no set e eu ficava grato, outros dias ficava nervoso”, disse Tatum. No fim, o diretor pediu para Mark não ir com tanta frequência.

Segundo Steve Carell, que usa bastante maquiagem para ficar parecido com Du Pont, seu processo de construção do papel não foi diferente de quando atua em comédias. “Os personagens não sabem que estão numa comédia ou em um drama”, afimou.

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