Filipe Bragança abre o jogo sobre fama, exposição e fim de ‘Coração Acelerado’
Ator conversou com a coluna GENTE sobre desafios da carreira e repercussão do namoro com Ramille
Antes mesmo de Coração Acelerado chegar ao fim, Filipe Bragança, 25 anos, já sabia que deixaria a novela levando muito mais do que o posto de protagonista das sete. Para viver o cantor sertanejo João Raul, o ator mergulhou em um universo que, embora lhe fosse familiar desde a adolescência, exigiu novos estudos e uma entrega física constante. O resultado ajudou a consolidá-lo como um dos principais nomes da sua geração e lhe garantiu um lugar na lista de galãs descamisados da faixa — rótulo que ele assegura nunca ter perseguido. À coluna GENTE, Bragança também fala sobre os desafios de interpretar figuras reais como Sidney Magal, em Meu Sangue Ferve por Você (2024), e Amyr Klink, em 100 Dias, que estreia em outubro, comenta a repercussão de assumir o namoro com a atriz Ramille, 28, e explica por que prefere manter a vida pessoal longe dos holofotes.
Como começou sua relação com a música e de que forma isso influenciou sua carreira? A música sempre funcionou como uma espécie de terapia para mim. Comecei a tocar violão e a fazer canto com 14 anos e foi estratégico, pois sabia que isso poderia ser proveitoso no futuro. Não queria me tornar profissional, mas sabia que seria importante como ator, como acabou sendo.
E o sertanejo? Sou nascido e criado em Goiânia, onde você escuta sertanejo em qualquer lugar que vá. Mas a pesquisa para a novela foi muito prazerosa e passei a admirar muito a história da música sertaneja. Não tem um cantor sertanejo que não cante muito bem. E é um tipo também de canto específico, tem alguns detalhes técnicos que precisei ajustar para encontrar o meu jeito sertanejo de cantar.
Você se considera um galã? Nossa, me perguntam isso quase todo dia e falo a mesma coisa: não me importo. Para mim, isso é um detalhe. Talvez seja mais importante que os atores não se apeguem a esse status porque não tem nada a ver. A gente precisa interpretar o personagem com honestidade, com muito esmero e é isso que eu tenho tentando fazer.
O João Raul é o clássico galã sem camisa da novela das 7? Com certeza. Tem muitas cenas sem camisa, mas faz parte. Tento subverter isso, deixar mais divertido para que não seja só um mocinho bonito e sedutor.
Como é a preparação para viver um galã? Natural. Sempre me dediquei fisicamente, não só pela minha saúde, mas pelo trabalho. Já interpretei personagens que tinham exigências físicas muito específicas. Por exemplo, tive um que era um atleta e um cara violento, um playboyzão. Fiquei mais forte do que estou hoje. Também precisei emagrecer 10 quilos quando interpretei o Amyr Klink, que estava muito magro na época. Para o João Raul, tenho a minha rotina de atividade física, de alimentação, com acompanhamento de nutricionista e personal. Isso tudo pode mudar no próximo trabalho, mas me divirto. Gosto de mudar o corpo enquanto ator. Só não sei até quando vou ter essa paciência.
Quem inspirou o João Raul? Ele tem um pouco de Luan Santana, Gusttavo Lima, Luan Pereira, outras figuras da ficção, como o protagonista de The Walking Dead, e até o Clint Eastwood. Tentei encontrar o arquétipo do cowboy e juntar isso com todas as referências da música sertaneja. Acho que é uma salada de fruta.
Coração Acelerado teve uma repercussão abaixo do esperado. Você acompanha a audiência e o desempenho? Eu me interesso. A gente vive uma época em que o audiovisual, no geral, está em crise. Na minha opinião, o interesse do público está muito disperso, mas gosto de acompanhar esse movimento. Eu vou muito ao cinema e estão muito vazios, para qualquer tipo de filme. Llembro de ir ao cinema quando era criança e o comportamento era outro, as salas estavam sempre cheias.
Qual foi a cena mais difícil da sua carreira? Muitas. As dificuldades são diferentes, a depender do papel, das circunstâncias de cada cena… Sempre me lembro do festival em Caldas Novas, que a gente filmou ao vivo em Coração Acelerado. Subi no palco sozinho, cantei duas músicas. Foi desafiado, mas depois acabou ficando fácil. Tudo depende da cena. Em 100 Dias, filme que interpreto Amyr Klink, filmei uma sequência em um tanque no estúdio, com máquina de onda e vento para simular as águas do mar. Foi muito difícil.
Você comentou do Amir Klink e também viveu Sidney Magal nos cinemas. Como é interpretar uma pessoa real? Tem vantagens e desvantagens. Ao mesmo tempo em que tenho referências, há a dificuldade de não virar uma imitação. Para mim, o maior erro é o ator imitar o personagem biografado. Nos dois casos, o desafio é o fato de que os dois estão vivos, pois preciso da aprovação deles. Se acharem ruim, é complicado.
Recentemente, você assumiu o relacionamento com a Ramille. Como foi a exposição? Não tem como esconder, então deixa todo mundo saber. Eu esconderia se fosse um crime. É claro que continuo querendo expor o mínimo possível, pois ninguém tem nada a ver com isso, além de mim e dela, mas acho que tem um limite. Espero que meu trabalho seja suficiente para entreter as pessoas. O resto é meu. Se quiser dividir, eu divido.
Como lida com a exposição pública? Não quero a atenção que não preciso. Gosto do Instagram de uma maneira meio antiquada. Compartilho o que leio, o que assisto, os bastidores e o que acho que pode ser proveitoso para as pessoas. Não gosto de expor minha intimidade, pois isso pode ofuscar o que realmente importa, que é o meu trabalho. Existe uma celebração digital da vida hoje, que, por vezes, é dispensável, uma maneira brasileira de lidar com as redes sociais, com muita exposição. Fico vendo atores de fora, que são referências para mim, que não se expõem tanto. Prefiro ser assim.
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