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Festival de Veneza começa com thriller sobre o fanatismo

Nesta quinta, terá início a competição oficial, com os filmes' Izmena' ('Traição'), do russo Kirill Serebrennikov, e 'Superstar', do francês Xavier Giannoli

Por Da Redação 29 ago 2012, 19h21

Com um thiller político da indiana Mira Nair sobre as contradições de um jovem paquistanês ante o fanatismo surgido na esteira do 11 de Setembro, teve início nesta quarta-feira a 69ª edição do Festival de Veneza, uma das mais importantes mostras cinematográficas do mundo.

Exibido fora de concurso, o filme The Reluctant Fundamentalist (O Fundamentalista Relutante) foi bem recebido pela imprensa. O longa retrata com ritmo eficaz o conflito entre Ocidente e Oriente, entre os diferentes fanatismos, tanto religioso como cultural e econômico, e é uma clara denúncia da intolerância. “As aparências enganam” é o lema do filme, que é protagonizado por Riz Ahmed e Kate Hudson, e baseado no best-seller de mesmo título, traduzido para 25 idiomas.

O filme conta a história do brilhante jovem paquistanês Changez, que alcança sucesso como analista financeiro em Nova York, fechando empresas em todo o mundo e demitindo funcionários. Ele cumpre todos os requisitos para triunfar nos Estados Unidos — se forma em Princeton e namora uma fotógrafa de família rica. Mas sua vida desmorona diante das contradições do sonho americano reveladas pelos atentados de 11 de setembro de 2011, que abalam suas convicções.

A transformação do jovem começa com os preconceitos e abusos que ele sofre pela cor de sua pele, pelos injustificáveis controles da polícia, pelo medo e pela intolerância provocados no país após os fatídicos atentados. “Esta é a história de um conflito entre ideologias”, afirmou a diretora, vencedora em 2001 do Leão de Ouro com Um Casamento à Indiana, que vive entre Índia e EUA, assim como o personagem principal do filme.

O festival, que este ano completa 80 anos de existência mas celebra sua 69ª edição devido às interrupções durante a Segunda Guerra Mundial e aos protestos dos anos 1960, começa em um clima positivo, em uma cidade que, apesar da crise econômica que afeta a Itália, inaugura no mesmo dia a Bienal de Arquitetura, um dos eventos mais importantes do setor no mundo. “Uma demonstração de força e eficiência. Mostramos ao mundo o que somos”, afirmou com orgulho Paolo Baratta, presidente da Bienal de Veneza, a entidade semipública que coordena os eventos culturais na cidade famosa pelos canais.

Com um novo visual, graças à criação de uma praça comum, a edição de 2012 terá durante dez dias um desfile de estrelas e filmes de cineastas aclamados, como Robert Redford, Brian de Palma, Terrence Malick, Takeshi Kitano e Marco Bellocchio. O espaço ao ar livre, com terraços e poltronas, que cobre parte do buraco aberto há dois anos para a construção frustrada do novo Palácio do Cinema, melhora a imagem do festival, que tenta renovar suas antigas infraestruturas.

Nesta quinta, terá início a competição oficial, com os filmes Izmena (Traição), do russo Kirill Serebrennikov, e Superstar, do francês Xavier Giannoli. No total, 18 filmes foram selecionados para disputar o cobiçado Leão de Ouro, que será concedido pelo júri presidido pelo cineasta americano Michael Mann.

(Com agência France-Presse)

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